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ONU alerta para rápida disseminação de notícias falsas sobre migrantes impulsionadas pela inteligência artificial

A Organização Internacional para as Migrações (OIM), agência das Nações Unidas, alertou esta terça-feira para a rápida disseminação de narrativas falsas sobre migrantes nas redes sociais, amplificada pelo recurso à inteligência artificial (IA). O fenómeno está a agravar a polarização social, a alimentar a desconfiança nas comunidades e a dificultar a cooperação entre governos na gestão dos fluxos migratórios.

Na abertura do Diálogo Internacional sobre Migração, em Genebra, a directora-geral da OIM, Amy Pope, advertiu que a desinformação transforma a ansiedade em suspeita e as pessoas em alvos. Segundo a responsável, a deterioração da confiança pública aumenta a resistência às políticas migratórias e reduz a margem de actuação dos governos, deixando os migrantes mais expostos a perigos ao longo das suas deslocações.

A responsável destacou que este cenário ocorre num contexto marcado pela incerteza económica, pelos conflitos armados e pelas pressões climáticas, factores que obrigam cada vez mais pessoas a abandonar as suas casas. A situação é agravada pela diminuição do financiamento destinado às operações de acolhimento e assistência, tornando mais difícil garantir protecção adequada às populações migrantes e refugiadas.

De acordo com os dados apresentados pela OIM, mais de 304 milhões de pessoas vivem actualmente fora do país onde nasceram, incluindo 168 milhões de trabalhadores migrantes. Quase metade dos migrantes internacionais são mulheres e raparigas, muitas vezes expostas à discriminação, ao abuso e à exploração. As remessas enviadas para os países de origem beneficiam cerca de mil milhões de pessoas, ajudando a financiar despesas essenciais, como alimentação, educação e saúde.

Para responder aos desafios, Amy Pope defendeu três prioridades: reforçar a cooperação entre países ao longo das rotas migratórias e ampliar as vias regulares de deslocação; investir antecipadamente nas comunidades afectadas por fenómenos climáticos, permitindo que as populações permaneçam nos seus territórios ou se desloquem em segurança; e garantir que as decisões políticas tenham por base dados fiáveis e respeitem a privacidade e a dignidade das pessoas. A OIM apelou ainda à promoção de uma migração segura, ordenada e regular, numa altura em que a ONU prepara novas avaliações dos progressos relativos aos Objectivos de Desenvolvimento Sustentável.

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