Mahmoud Sallah passou quase dois anos detido numa prisão de Benghazi, depois de ter sido capturado no sul da Líbia pelas forças leais ao marechal Khalifa Haftar. Quando recuperou a liberdade e regressou ao seu movimento, encontrou a estrutura que liderava profundamente desorganizada e com uma capacidade operacional muito reduzida.
O dirigente do Frente Patriótica de Libertação (FPL), movimento armado do Níger, reconhece que ficou surpreendido com o estado da organização. Perante aquilo que descreve como uma perda de eficácia no terreno, e decidiu promover uma reestruturação interna e substituir alguns dos responsáveis.
“Quando saí da prisão, encontrei o grupo completamente desorganizado e sem eficácia no terreno. Decidi rapidamente convocar uma assembleia-geral e colocar à frente da organização pessoas capazes de reforçar a nossa capacidade de combate, que sempre constituiu a essência desta frente de libertação”, afirmou Mahmoud Sallah.
Segundo o dirigente, vários quadros do FPL não estiveram à altura das responsabilidades que lhes tinham sido confiadas. A convocação da assembleia-geral deverá, por isso, permitir uma avaliação do trabalho desenvolvido durante a sua ausência e abrir caminho a uma renovação das estruturas de comando.
Ao recordar os quase dois anos de encarceramento em Benghazi, Mahmoud Sallah evitou denunciar maus-tratos. Pelo contrário, salientou que as autoridades prisionais líbias respeitaram a sua condição de dirigente político.
“Na prisão de Benghazi fui bem tratado e respeitado. Fui tratado como um homem político, com respeito e consideração”, declarou.
O responsável do FPL afirmou igualmente que cinco organizações se aproximaram ou se juntaram à frente que dirige. Entre elas encontram-se o Movimento Patriótico para a Liberdade e a Justiça (MPLJ), liderado por Moussa Koné, o Movimento Patriótico Nigerino (MPN), de Mahamat Tinaymi e o Movimento para a Autonomia do Manga (MAM).
Esta convergência de grupos deverá reforçar a capacidade política e militar do FPL num momento em que Mahmoud Sallah procura redefinir as prioridades da organização. O dirigente assegura que o principal objetivo passa agora pelo restabelecimento da ordem constitucional no Níger, pela recondução de Mohamed Bazoum à Presidência da República e pelo afastamento do general Abdourahamane Tiani do poder.
«Terminámos com os ataques esporádicos contra os oleodutos. Incluímos no nosso programa a queda de Tiani, que constitui a nossa prioridade absoluta», garantiu.
Sallah procura, contudo, distanciar a organização das correntes separatistas que atuam na região. Segundo o dirigente, o FPL defende a unidade territorial do Níger e a construção de um Estado assente em instituições democráticas, na participação popular e na separação efetiva dos poderes.
“No nosso movimento, somos contra os grupos secessionistas e separatistas. Estamos ao lado daqueles que pretendem construir o Níger sobre bases sólidas, com a participação do povo nos processos de tomada de decisão, através de órgãos democraticamente eleitos e com a garantia da separação de poderes”, sublinhou.
O líder da FPL também criticou as entidades estrangeiras e os parceiros económicos que, na sua perspetiva, contribuem para sustentar as autoridades militares através do financiamento ou da execução de projetos no país. Mahmoud Sallah considera que essas iniciativas acabam por beneficiar sobretudo a junta militar e não respondem às necessidades da população.
