Um relatório internacional publicado na The Lancet conclui que o consumo elevado de alimentos ultraprocessados (UPFs) — como snacks, refeições prontas e bebidas açucaradas — está a contribuir para uma crise global de saúde, aumentando o risco de obesidade, diabetes, doenças cardíacas, depressão e morte precoce.
A análise, assinada por 43 especialistas, compila mais de 100 estudos de longo prazo, dos quais 92 identificam ligações claras entre dietas ricas em UPFs e múltiplas doenças crónicas. Os investigadores destacam ainda a exposição a substâncias nocivas geradas durante o fabrico ou libertadas pelas embalagens.
Os especialistas defendem ações políticas urgentes, incluindo rótulos que identifiquem produtos altamente processados, restrições à publicidade e impostos sobre UPFs para financiar acesso a alimentos frescos.
O relatório alerta também para o poder das grandes corporações, acusadas de travar regulações que reduzam o consumo destes produtos.
Alguns académicos independentes recomendam cautela, lembrando que faltam ensaios clínicos robustos. Ainda assim, o consenso entre os autores é claro: os UPFs estão a prejudicar a saúde a nível global e exigem intervenção imediata.
