A violência sexual em contextos de conflito armado atingiu níveis sem precedentes em 2025, com as Nações Unidas a verificarem 9.788 casos, mais do dobro dos registados no ano anterior. Num novo relatório apresentado ao Conselho de Segurança, a ONU alerta que o número real de vítimas é muito superior, uma vez que a maioria dos casos nunca é denunciada nem chega aos serviços de saúde.
Segundo a representante especial do secretário-geral da ONU para a Violência Sexual em Conflitos, Pramila Patten, estes crimes continuam a ser utilizados como uma estratégia deliberada de guerra, terrorismo, repressão política e controlo territorial. O relatório documenta casos de violação, violação coletiva, escravatura sexual, casamentos forçados e tráfico de pessoas em 21 cenários de conflito, destacando a República Democrática do Congo, o Haiti, o Sudão e a República Centro-Africana como os países com maior número de casos confirmados.
As mulheres e as raparigas representam cerca de 90% das vítimas, mas a ONU assinala igualmente um aumento de 37% da violência sexual contra crianças, com quase 3.000 menores afetados em 2025. Homens e rapazes também continuam a ser alvo deste tipo de violência, sobretudo em centros de detenção, onde é utilizada como forma de tortura, humilhação e obtenção de informações.
O relatório identifica 77 partes responsáveis por estes crimes, incluindo 62 grupos armados não estatais. Pela primeira vez, Israel e a Federação Russa surgem incluídos na lista de entidades responsáveis, devido a padrões documentados de violência sexual em contextos de detenção e durante operações militares. A ONU sublinha que esta lista tem como objetivo reforçar a proteção das vítimas e promover a responsabilização dos autores, apelando ao reforço das sanções, ao financiamento dos serviços de apoio às sobreviventes e ao combate à impunidade.
