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UNICEF alerta para agravamento global da crise humanitária que afeta crianças em 2026

A diretora executiva da UNICEF, Catherine Russell, alertou em Nova Iorque para o agravamento sem precedentes da crise humanitária que afeta crianças em todo o mundo. Num discurso proferido durante o Humanitarian Dialogue 2026, destacou que a violência, o deslocamento forçado e a privação atingiram níveis recorde, com consequências devastadoras para a infância.

Segundo dados apresentados pela organização, em 2024 foram verificadas mais de 41 mil violações graves contra crianças em zonas de conflito — o valor mais elevado de sempre. Em 2025, a tendência mantém-se, com crianças a serem cada vez mais afetadas por guerras que não iniciaram. A UNICEF sublinha ainda o impacto crescente de novas tecnologias militares e de armas explosivas, responsáveis por cerca de 70% das vítimas infantis em conflitos.

A responsável alertou também para a crise alimentar global, referindo que cerca de 38 milhões de crianças em 26 países necessitam de apoio nutricional urgente, incluindo 10 milhões em estado de desnutrição grave. Catherine Russell destacou que a fome infantil não resulta apenas da escassez de alimentos, mas sobretudo de conflitos, falhas políticas e dificuldades de acesso a ajuda humanitária.

A educação e a proteção das crianças foram igualmente apontadas como áreas críticas. Em regiões como Gaza e a República Democrática do Congo, escolas destruídas e episódios de violência sexual continuam a privar milhões de crianças de segurança e aprendizagem, comprometendo o seu desenvolvimento e futuro.

A UNICEF alertou ainda para a pressão crescente sobre o sistema humanitário, com redução de financiamento e dificuldades de acesso às populações afetadas. A organização pediu mais apoio internacional, financiamento flexível e respeito pelo direito internacional, sublinhando que a proteção das crianças deve permanecer no centro da resposta global às crises.

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