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Brasil, UNESCO e UIT criam instituto para desenvolver inteligência artificial sustentável aplicada ao clima

A UNESCO, o Governo do Brasil e a União Internacional das Telecomunicações (UIT) vão lançar oficialmente, a 16 de Novembro, na COP31, em Antália, na Turquia, o Instituto de Inteligência Artificial para o Clima (AICI). A iniciativa pretende apoiar os países em desenvolvimento na criação de soluções de inteligência artificial (IA) éticas, sustentáveis e adaptadas às suas necessidades, reforçando a utilização da tecnologia no combate às alterações climáticas.

O instituto ficará sediado institucionalmente na Agência Nacional de Telecomunicações do Brasil (Anatel), no âmbito do Green Digital Action Hub, em Brasília. A estrutura procura responder às dificuldades enfrentadas por muitos países do Sul Global, nomeadamente a limitada capacidade computacional, as lacunas na formação técnica e a fragmentação dos sistemas de governação de dados, num contexto em que a própria expansão da IA aumenta o consumo de energia e água e a pegada de carbono.

A parceria reúne as competências das três instituições: a Anatel assegurará o acolhimento institucional e a cooperação regional; a UIT contribuirá com conhecimentos técnicos em telecomunicações e infra-estruturas digitais; e a UNESCO ficará responsável por integrar princípios éticos, direitos humanos e ciência aberta nos programas de formação e nos projectos do instituto. Um estudo conjunto da UNESCO e da University College London indica que a utilização de modelos específicos para determinadas tarefas e a optimização de instruções podem reduzir o consumo energético da IA em até 90%.

O projecto foi anunciado inicialmente na COP30, realizada em Novembro de 2025, em Belém, no Brasil, tendo os parceiros estabelecido um roteiro de implementação para 2026-2027. A preparação operacional avançou a 4 de Agosto deste ano, durante um workshop em Manaus, que reuniu reguladores, responsáveis pelas políticas digitais e instituições financeiras multilaterais. Entre as prioridades definidas estão a formação de funcionários públicos e especialistas, a criação de um repositório de dados ambientais de acesso aberto e o reforço da soberania tecnológica dos países participantes.

Durante o lançamento na COP31, os parceiros apresentarão o plano de trabalho para 2026-2027 e aplicações-piloto, incluindo um sistema de prevenção da desflorestação baseado em IA na Bacia Amazónica. Será também aberta a adesão de governos, instituições de investigação e parceiros financeiros internacionais. A iniciativa pretende garantir que os países em desenvolvimento possam conceber, adaptar e gerir as suas próprias ferramentas tecnológicas, sem depender exclusivamente de soluções proprietárias externas.

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