Imagem: Flávio Ulhoa Coelho, autor e docente universitário brasileiro. Fotos: Agência Incomparáveis
O escritor e professor universitário brasileiro Flávio Ulhoa Coelho afirmou que a leitura continua a desempenhar um papel essencial na construção de uma sociedade mais aberta e plural, defendendo que os livros permitem às pessoas conhecer “outras comunidades, outros grupos de pessoas” e vivenciar experiências diferentes das suas.
Em entrevista exclusiva à Agência Incomparáveis, realizada no contexto da Feira do Livro de Lisboa 2026, que decorre entre 27 de maio e 14 de junho, no Parque Eduardo VII, na capital portuguesa, Flávio Ulhoa Coelho abordou a importância dos festivais literários, a relação entre ciência e literatura no seu percurso pessoal e profissional, bem como a sua participação, pela primeira vez, na feira lisboeta para apresentar o livro “TRIO”, publicado pela In-Finita Editorial, liderada por Adriana Mayrink.
Para Flávio Ulhoa Coelho, os eventos literários têm desempenhado um papel decisivo na aproximação entre escritores e leitores.
“Os festivais têm ajudado muito”, frisou, explicando que, nos últimos anos, estes encontros “têm aperfeiçoado muito essa tentativa de colocar o público mais no centro das atenções”. Segundo o autor, “tem muito mais conversa” e “o autor está muito mais próximo do público do que antigamente”. Na sua perspetiva, esta mudança contribui para desmistificar a figura do escritor.
“O escritor não é mais aquela figura que estava longe, escrevia um livro e você nunca tinha contacto”, observou. Pelo contrário, acrescentou, trata-se de “uma pessoa que tem a vivência no cotidiano e pode se aproximar muito” dos leitores.
Ao estabelecer uma comparação entre Portugal e o Brasil, Flávio Ulhoa Coelho salientou que ambos os países têm assistido ao fortalecimento deste modelo de interação. O escritor recordou, inclusive, a sua recente participação num grande evento literário em São Paulo, no Brasil, referindo que o próprio organizador reconheceu ter encontrado inspiração na experiência portuguesa.
A presença do autor na Feira do Livro de Lisboa ficou também marcada pelo lançamento de “TRIO”, obra composta por três contos.
“Esse é o meu segundo livro que eu publico pela In-Finita Editorial”, explicou o autor, que revelou ainda que a ideia do formato surgiu por sugestão da editora.
“A Adriana, que é a editora da In-Finita Editorial, me propôs esse novo formato, que eu achei muito legal, são livrinhos pequenos”, sustentou.
Paralelamente à literatura, Flávio Ulhoa Coelho desenvolve uma carreira académica ligada à matemática. Questionado sobre a convivência entre as ciências exatas e a escrita criativa, o autor respondeu de forma descontraída: “Eu acho que eu tenho dois botãozinhos, eu desligo o botão das ciências exatas e ligo o da poesia”.
Apesar da metáfora, reconheceu que a relação entre as duas áreas acontece de forma natural no seu quotidiano.
“Às vezes, estou assistindo a uma palestra de matemática, concentrado, e vem uma ideia de um conto”, revelou.
No final da entrevista, o escritor deixou um apelo aos leitores, especialmente às novas gerações, destacando o papel transformador da leitura num contexto marcado pela segmentação da informação.
“A leitura é uma das coisas que pode propiciar que as pessoas conheçam outras comunidades, outros grupos de pessoas”, afirmou, acrescentando que esta permite “entrar numa certa variedade de situações” que considera essencial para a formação individual e coletiva e para a “diversidade intelectual e cultural” das sociedades.
Na sua opinião, “só a arte, em particular a leitura, consegue proporcionar às pessoas essa experiência de você vivenciar o que outra pessoa vivenciou”. Por essa razão, Flávio Ulhoa Coelho deixou uma recomendação direta: “O meu conselho é: leiam, leiam bastante e de tudo”.
A sua participação na Feira do Livro de Lisboa representou também um momento especial para o autor, que mantém uma relação próxima com Portugal há vários anos.
“Eu gosto muito de Portugal, venho muitas vezes, mas é a primeira vez que eu venho para a feira, na época da Feira do Livro de Lisboa, e estou curtindo muito estar aqui”, finalizou.
Ainda em solo português, entre outros momentos, Flávio Ulhoa Coelho participou no painel de abertura, no último dia 6 de junho, da terceira edição do “Festival Literário Conexões Atlânticas”, um evento promovido pela In-Finita Editorial, dedicado “à valorização da literatura em língua portuguesa e ao fortalecimento das ligações culturais entre os escritores das diferentes geografias da lusofonia”. Uma iniciativa que teve lugar na sede da Associação Portuguesa de Poetas (APP), em Lisboa.
O festival, que se realiza entre junho e novembro de 2026, conta com o apoio da Agência Incomparáveis, além da parceria institucional da APP e da União Europeia de Escritores em Língua Portuguesa, em Paris.
Ígor Lopes
