Imagem: Sara Timóteo, escritora portuguesa. Fotos: Agência Incomparáveis
A escritora e tradutora portuguesa Sara Timóteo acredita que a literatura permite aos leitores contactar com “culturas diferentes, pessoas diferentes” e enriquecer a sua forma de estar na vida, além de considerar que os livros continuam a desempenhar “um papel fundamental” na descoberta de novas paixões, perspetivas e experiências.
Em entrevista exclusiva à Agência Incomparáveis, realizada no âmbito da 96.ª edição da Feira do Livro de Lisboa, que decorre entre 27 de maio e 14 de junho, no Parque Eduardo VII, na capital portuguesa, Sara Timóteo explicou que se encontrava no certame para apresentar a tradução portuguesa de uma nova obra de Jorge Hu, escritor e poeta mexicano, “Contos e Contas Pendentes”.
“Nesta Feira do Livro eu venho trazer, sobretudo, a nova obra de Jorge Hu, na sua vertente em versão espanhola (Cuentos y Cuentas Pendientes) e também uma tradução que tive o privilégio de fazer para português”, frisou, acrescentando que “foi uma tradução que exigiu bastante tempo, uma revisão bastante cuidada e é com grande alegria que temos a possibilidade de apresentar na Feira do Livro de Lisboa“, contou.
“Esta obra é única porque versa sobre poesia, portanto, é uma obra metapoética, podemos dizer assim, e também tem alguns contos curtos“, adicionou.
Questionada sobre o papel da Feira do Livro de Lisboa na promoção da literatura, Sara Timóteo, que integra a Asociación Internacional de Escritores (AIDE), considerou que o evento representa uma oportunidade única para autores e leitores.
“A Feira do Livro de Lisboa é uma plataforma imperdível porque é uma plataforma que não só permite a divulgação, mas, sobretudo, e mais importante, o contacto com outros autores“, enfatizou.
Na sua perspetiva, a dimensão internacional do certame constitui uma das suas maiores riquezas.
“Nesta feira temos a oportunidade de receber também alguns autores internacionais que vêm e também divulgam a sua obra, não só em termos de tradução, mas também no idioma original“, referiu. Além disso, destacou a proximidade proporcionada pelo evento entre quem escreve e quem lê.
Ao longo da entrevista, Sara Timóteo abordou ainda alguns dos projetos que, atualmente, desenvolve no domínio da criação literária e performativa, nomeadamente uma iniciativa que cruza texto, corpo e inclusão.
Segundo explicou, trata-se de um trabalho que será apresentado futuramente em duas residências literárias, uma das quais em Espanha.
“Tem um trabalho do corpo, do texto a partir do corpo e do que são as prisões do nosso próprio corpo, ou da nossa perceção sobre o corpo“, afirmou a autora, que esclareceu que este processo criativo envolve uma dimensão coletiva e permanece em constante evolução.
“É um projeto performativo, com uma noção diferente a nível literário, portanto não do que é um livro acabado, mas sim de um processo que continua, que se move e que se altera consoante o que vai sucedendo na própria companhia, no próprio coletivo e no próprio corpo de cada um“, explicou.
Relativamente ao acesso às suas obras, Sara Timóteo indicou que os leitores podem encontrar os seus livros em várias plataformas e espaços culturais.
“Na Amazon é o sítio onde estão a maior parte das minhas obras, mas também na Wook, na Bertrand, na FNAC e ainda em bibliotecas, como a Biblioteca Nacional, a Biblioteca da Nazaré e várias bibliotecas de Lisboa, Vila Franca de Xira e Coimbra”, declarou.
No final da conversa, deixou uma mensagem dirigida aos novos leitores, defendendo a importância do contacto com diferentes perspetivas e experiências humanas através dos livros.
“Deixem-se levar, deixem-se permear pelo contacto com culturas diferentes, pessoas diferentes, formas diferentes de pensar daquela que vocês têm“, apelou.
“Dessa forma vão enriquecer muito mais a vossa forma de estar, a vossa forma de ser e poderão até descobrir, quem sabe, um talento novo, uma nova paixão, um novo amor, a alegria das pequenas coisas no dia-a-dia“, acrescentou.
Convicta do papel transformador da leitura, Sara Timóteo concluiu a entrevista com uma frase que resume a sua visão sobre a importância dos livros na sociedade contemporânea: “Isso só a literatura poderá trazer, literatura é a vida“.
Agenda paralela
Ainda na capital lusa, Sara Timóteo participou num dos painéis de abertura da terceira edição do “Festival Literário Conexões Atlânticas”, um evento promovido pela In-Finita Editorial, liderado por Adriana Mayrink, no último dia 6 de junho. Uma iniciativa que teve lugar na sede da Associação Portuguesa de Poetas (APP), e na qual Sara foi curadora.
O festival, que se realiza entre junho e novembro de 2026, conta com o apoio da Agência Incomparáveis, além da parceria institucional da APP e da União Europeia de Escritores em Língua Portuguesa, em Paris.
Ígor Lopes
