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Fóssil de macaco ancestral encontrado no Egito pode mudar teorias sobre origem dos primatas modernos

Uma nova descoberta paleontológica no Egito está a desafiar as ideias tradicionais sobre a origem dos macacos modernos e dos seus parentes evolutivos, incluindo os grandes símios que deram origem a grupos como gorilas, chimpanzés e humanos. Investigadores identificaram uma nova espécie de primata, denominada Masripithecus moghraensis, que viveu há cerca de 17 a 18 milhões de anos, durante o início do período Mioceno.

O fóssil foi encontrado em Wadi Moghra, no norte do Egito, por uma equipa internacional liderada por cientistas do Centro de Paleontologia de Vertebrados da Universidade de Mansoura e da Universidade do Sul da Califórnia. A descoberta representa a primeira evidência definitiva de um símio do início do Mioceno no Norte de África e sugere que a região poderá ter desempenhado um papel muito mais importante na evolução dos primatas do que se pensava anteriormente.

Até agora, muitos investigadores defendiam que os antepassados dos macacos modernos tinham surgido principalmente na África Oriental, devido à abundância de fósseis encontrados nessa região. No entanto, as análises do Masripithecus indicam que esta espécie estava mais próxima dos macacos atuais do que outros primatas conhecidos da mesma época encontrados na África Oriental, apontando para o Norte de África e o Médio Oriente como possíveis centros de origem e diversificação.

Embora tenha sido encontrada apenas uma parte da mandíbula inferior, os cientistas identificaram características únicas, incluindo dentes caninos e pré-molares grandes, molares adaptados a diferentes tipos de alimentos e uma mandíbula robusta. Estas características sugerem que o Masripithecus tinha uma alimentação flexível, baseada sobretudo em frutos, mas com capacidade para consumir alimentos mais resistentes, como sementes e frutos secos, uma adaptação importante num ambiente sujeito a alterações climáticas.

Os investigadores utilizaram modelos avançados de análise evolutiva, combinando dados fósseis, características anatómicas de espécies atuais e extintas e informações genéticas, para reconstruir as possíveis relações entre diferentes grupos de primatas. Os resultados indicam que o Norte de África e o Médio Oriente poderão ter sido uma importante encruzilhada evolutiva durante o período em que os primeiros macacos começaram a diversificar-se.

Segundo os cientistas, a descoberta do Masripithecus moghraensis não encerra o debate sobre a origem dos primatas modernos, mas abre novas possibilidades e demonstra que partes fundamentais da história evolutiva podem ainda estar escondidas em regiões pouco exploradas. A equipa espera encontrar novos fósseis no Norte de África e no Médio Oriente que permitam compreender melhor como surgiram e se espalharam os antepassados dos macacos e dos seres humanos.

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