A Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) alertou que o aumento da resistência antimicrobiana nos animais de criação poderá representar uma ameaça crescente à segurança alimentar, à saúde pública e à economia mundial. Um novo relatório divulgado em Roma defende que a redução do uso excessivo de antimicrobianos na pecuária é essencial para evitar prejuízos de longo prazo.
Segundo a FAO, o consumo global de antimicrobianos na produção animal poderá aumentar cerca de 30% até 2040, impulsionado pela procura crescente de alimentos de origem animal. Embora os promotores de crescimento antimicrobianos possam proporcionar ganhos de produtividade a curto prazo, os custos associados ao aumento da resistência bacteriana serão significativamente superiores no futuro.
A organização estima que, num cenário de elevada resistência antimicrobiana, as perdas acumuladas na produção pecuária poderão atingir 318 mil milhões de dólares até 2040. Em contrapartida, os custos relacionados com a eliminação gradual dos promotores de crescimento antimicrobianos serão muito menores, rondando os 53 mil milhões de dólares.
O relatório defende investimentos em vacinação, biossegurança, serviços veterinários e alternativas não antibióticas para reduzir a dependência de medicamentos. A FAO calcula que serão necessários pelo menos 28,4 mil milhões de dólares em investimentos de transição para apoiar os produtores durante este processo.
A Ásia e o Pacífico deverão continuar a concentrar a maior parte do consumo mundial de antimicrobianos em pecuária até 2040, seguido pela América do Sul. A FAO sublinha que a gestão responsável destes medicamentos exige uma abordagem global e coordenada para proteger a eficácia dos antimicrobianos e garantir a sustentabilidade dos sistemas alimentares.
