O presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, anunciou, durante a Semana do Clima em Nova Iorque, em setembro, um aporte inicial de US$ 1 mil milhão no Fundo Florestas Tropicais para Sempre (TFFF), mecanismo internacional destinado a financiar a conservação de florestas em países do Sul Global.
Lula destacou o Brasil como o primeiro país a se comprometer financeiramente com o fundo. Ele afirmou que o objetivo é mobilizar outras nações para que o TFFF esteja em funcionamento até a COP30, marcada para novembro de 2025, em Belém (PA).
Proposto pelo Brasil durante a COP 28, em Dubai, o fundo pretende captar US$ 125bilhões em recursos públicos e privados. Diferente de modelos baseados em doações, o TFFF prevê investir em projetos de alto retorno, destinando parte dos lucros a países que comprovem avanços na proteção de suas florestas.
Segundo Lula, o mecanismo é uma iniciativa concebida no Sul Global para responder à crise climática, considerando as realidades locais. “Não haverá solução possível para as florestas tropicais sem o protagonismo de quem vive nelas”, disse.
Para especialistas, a medida reforça o elo entre preservação ambiental e segurança alimentar mundial. De acordo com o diretor-executivo do Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (Ipam), André Guimarães, e enviado especial da sociedade civil para a COP 30, as florestas tropicais têm papel central na regulação climática. “O mundo tropical produz metade dos alimentos consumidos globalmente. E só o faz porque as florestas tropicais distribuem a chuva e irrigam a lavoura”, afirmou.
Ígor Lopes
