e-Global

Guiné-Bissau: Biaguê Na Ntan criticado pelas suas ameaças com forte favoritismo político

O Chefe do Estado-Maior General das Forças Armadas (CEMGFA) da Guiné-Bissau, Biaguê Na Ntan, disse que, qualquer político que sair a rua para perturbar o dia das Forças Armadas, vai ter uma resposta “adequada”.

Biaguê Na Ntan reagia assim, aos anúncios dos líderes das coligações PAI Terra Ranka e API que ameaçaram que, em caso de não marcação das eleições no prazo de 72 horas, não haverá comemorações do dia das Forças Armadas (FA). Os partidos da oposição acusaram ainda o CEMGFA de estar a promover militares como forma de mobilizar apoios para o “actual regime político”.

Na Ntan respondeu, em conferência de imprensa, que os militares guineenses estão neste momento em “prontidão combativa”, e todo aquele que sair à rua para perturbar, a resposta será “adequada”, tendo acrescentado que “ninguém será permitido de perturbar o dia das FA”.

As declarações do CEMGFA foram severamente criticadas por diversos sectores e cidadãos que acusam Biaguê Na Ntan de “forte favoritismo político”, e questionam sobre a pertinência das celebrações do dia das FA quando o “povo é cada vez mais martirizado” por “um regime violento e antidemocrático”.

O Presidente da Liga Guineense dos Direitos Humanos (LGDH), Bubacar Turé, nas redes sociais, escreveu que, fiel ao seu novo estatuto de constitucionalista de conveniência ao serviço de autoritarismo, o General Biaguê Na Ntan decidiu declarar a guerra ao povo guineense.

“Numa declaração encomendada com a finalidade de intimidar os cidadãos que pretendem apenas exercer um direito com dignidade constitucional, o General Biaguê anuncia prontidão das FA para o combate, como se o país estivesse à beira de um conflito armado”, sublinhou Bubacar Turé.

Biaguê Nan Ntan adiantou ainda que, ninguém poderá perturbar o dia das Forças Armadas, porque “foi muito bem preparado e as pessoas serão condecoradas com medalhas” que o próprio CEMGFA expôs na Conferência de Imprensa, ao lado de Mamadú N’krumah, vice-CEMGFA.

No dia seguinte às suas declarações, a presença de militares e Polícias em modo prevenção era já visível nas principais artérias e rotundas de Bissau. Uma prevenção reforçada por patrulhas conjuntas das FA, MI e das forças da ECOMIB.

Para Bubacar Turé as “declarações infelizes” de Biaguê Na Ntan, “para além de serem absolutamente inaceitáveis, são próprias de um chefe militar que perdeu noção da missão constitucional reservada às Forças Armadas”.

“Recentemente, o General Biaguê Na Ntan ordenou de forma ilegal e abusiva as detenções de três Juízes Conselheiros do Tribunal Superior Militar, a mando do seu chefe. Igualmente, o General Biaguê Na Ntan foi o principal cúmplice dos assaltos criminosos ao STJ [Supremo Tribunal de Justiça] e à ANP [Assembleia Nacional Popular]. Afinal, que militar republicano é o General Biaguê Na Ntan, quando ordena prontidão ao combate e dedos no gatilho para massacrar o povo desarmado?”, questionou Bubacar Turé.

A LGDH está convicta que, “se o General Biaguê Na Ntan escondia atrás da cortina para escamotear a sua participação nas conspirações contra a democracia e o Estado de Direito”, hoje, decidiu voluntariamente “levantar o véu”, sendo “co-responsável da destruição da democracia na Guiné-Bissau, o General Biaguê Na Ntan é, doravante, um alvo da luta cívica para restauração destes valores”, escreveu Turé.

As ameaças de Biaguê Na Ntan não desmotivaram as lideranças políticas da oposição. A 13 de Novembro as duas coligações convocaram uma reunião para definir as estratégias nas marchas que pretendem decorram durante três dias.

Exit mobile version