A disputa presidencial na Guiné-Bissau entrou numa fase crítica após o voto de 23 de novembro, com as duas principais candidaturas, Fernando Dias e Umaro Sissoco Embaló, a reivindicarem confiança no desfecho e a trocarem acusações sobre eventuais irregularidades no apuramento. A tensão cresce enquanto o país aguarda pelos resultados oficiais, previstos pela Comissão Nacional de Eleições (CNE) até quinta-feira, 27 de novembro.
Fernando Dias proclama vitória e diz que “não haverá segunda volta”
O candidato independente Fernando Dias, apeado pelas coligações PAI Terra Ranka e API Cabas Garandi, declarou-se vencedor das eleições deste domingo, assegurando que “não haverá segunda volta”. Afirmou estar tranquilo perante a contagem dos votos e garantiu que “o vencedor não se preocupa”.
A sua estrutura de campanha alertou para alegadas tentativas de impedir delegados dos partidos e magistrados do Ministério Público de acompanharem o apuramento nas Comissões Regionais de Eleições (CRE), sobretudo em Bafatá e Oio, onde terão ocorrido ordens para remover representantes legais dos centros de contagem.
A candidatura orientou militantes e apoiantes a respeitar os procedimentos da CNE, aguardando o anúncio oficial dos resultados antes de qualquer celebração pública. Contudo, advertiu para sinais de “interferência indevida” no apuramento, que consideram comprometer a transparência do processo.
Sissoco Embaló pede contenção e anuncia desempenho eleitoral “muito positivo”
Do outro lado, a equipa de campanha de Umaro Sissoco Embaló também assegura que a eleição correu a favor do Presidente cessante. O diretor de campanha, Óscar Barbosa “Cancan”, declarou que o chefe de Estado obteve um resultado suficientemente expressivo para dispensar uma segunda volta.
Ao mesmo tempo, a candidatura apelou à equipa de Fernando Dias para não proclamar vitória antecipada, sublinhando que apenas a CNE está habilitada a divulgar os números oficiais.
“Cancan” exortou os apoiantes da Plataforma Republicana a manterem serenidade e disciplina até ao anúncio final dos resultados.
Candidatura de Fernando Dias denuncia “tentativa organizada de fraude”
No entanto, o ambiente adensou-se quando a direção da campanha de Fernando Dias divulgou um comunicado acusando o regime de tentar “desvirtuar os resultados eleitorais”.
Segundo a estrutura, uma ordem superior terá determinado a retirada de todos os magistrados do Ministério Público das CREs, contrariando a lei eleitoral que lhes confere a função de acompanhar o apuramento enquanto fiscais da legalidade.
A campanha denunciou igualmente a detenção arbitrária de Victor Mandinga, coordenador regional de Bafatá, alegando que o objetivo foi impedir que acompanhasse o processo de votação.
A equipa afirma ainda ter recebido informações de que o candidato Sissoco Embaló terá ordenado a requisição de atas de apuramento da região de Bafatá, o que classificam como “ingerência grosseira” numa fase delicada do escrutínio.
Face ao ambiente de suspeição, a candidatura de Dias apelou aos seus representantes nas CREs para reforçarem a vigilância, com o objetivo de garantir que a vontade expressa nas urnas seja respeitada sem manipulações.
Expectativa cresce enquanto país aguarda resultados oficiais
Com as duas candidaturas a demonstrarem confiança absoluta na vitória e a trocarem acusações de manipulação ou precipitação, o clima político tornou-se especialmente sensível.
A CNE assume agora papel determinante para assegurar que os resultados sejam apresentados dentro do prazo e com plena credibilidade institucional, num momento em que o futuro imediato da estabilidade nacional depende largamente da aceitação pública do veredicto final.
