O Movimento para Alternância Democrática (MADEM G-15), partido que apoiou a eleição do Presidente Umaro Sissoco Embaló nas presidenciais em 2019, e que resultou com a sua vitória, está mergulhado numa das maiores crises, desde a sua fundação em 2018.
Umaro Sissoco Embaló não esconde a vontade de pretender concorrer a um segundo mandato, mas a sua ambição pode ser dificultada com a possibilidade de Braima Camará ser candidato presidencial nas eleições, que ainda estão por marcar.
Umaro Sissoco Embaló, segundo dirigentes do MADEM-G15, estará a incentivar no interior desta formação política a criação de Movimentos de apoio ao seu segundo mandato. Braima Camará, Coordenador do MADEM opõe-se por considerar ser uma estratégia capaz de fragilizar o partido. Em consequência, o Conselho Nacional do MADEM deliberou a interdição de criação de Movimentos de apoio por parte de qualquer dirigente do partido.
Esta decisão, tanto é corroborada por dirigentes do MADEM-G15, como está a ser alvo também uma forte oposição em que alguns dirigentes já assumem publicamente a confrontação com o Coordenador do partido.
Na lista dos contestatários destacam-se Sandji Fati, Coordenador do MADEM para o Sector Autónomo de Bissau e José Carlos Macedo, Coordenador do MADEM para a região de Gabú, onde o partido, desde a sua criação, recolheu sempre os melhores resultados nas legislativas.
Em função das posições assumidas por Sandji Fati e José Carlos Macedo, o Conselho de Direitos do MADEM (Tribunal do Partido) recomendou ao Coordenador a suspensão dos dois dirigentes durante o período de dois anos. A suspensão de Sandji foi decretada pelo Coordenador há cerca de dois meses, mas a de José Carlos Macedo só aconteceu a 3 de Maio, provocando grande ruído.
José Carlos Macedo, um dos mais próximos de Braima Camará, decidiu enfrentar o líder através de uma demonstração de força na sua região. Conseguiu dividir a Coordenação Regional em dois e numa votação feita pelos membros da Comissão Política local teve uma moção de confiança, votada por 158 membros no total de 160 presentes. O resultado da votação visava reconhecer, José Carlos Macedo como o legítimo Coordenador do partido para a região e não reconhecer Djassi que fora nomeado pelo Coordenador após a suspensão do primeiro.
A 10 de Maio, Macedo promoveu com sucesso uma digressão na região. Em declarações à imprensa, Macedo Monteiro vincou que a sua legitimidade enquanto Coordenador para a região mantém-se e todos que resistirem vão ser derrotados. Dara Fonseca, deputada do MADEM e fiel à Direcção escreveu: “Zé Carlos (José Carlos Macedo) é um extremista, um homem de exageros, chegando a ser imprudente para obter aquilo que pretende. É daquelas pessoas que ‘os meios não justificam os fins’”.
Para Dara Fonseca, o Coordenador está neste momento dedicado, com a sua dose extremista a destruir MADEM-G15 em Gabú e a beneficiar o partido dos trabalhadores guineenses, liderado pelo actual ministro do interior que é seu chefe neste governo de iniciativa presidencial. “Por suas razões pessoais, o democraticamente eleito, Coordenador da Região de Gabu, abandonou a sua estrutura, e consta que pretende fechar a nossa sede Regional. Gabú está neste momento sem Coordenador, ou melhor o Coordenador fez de tudo para ser suspenso no partido”, acusou.
Referindo-se ao cerne da questão, eventual segundo mandato de Sissoco Embaló, a deputada qualificou de estranho o comportamento de José Carlos Macedo e fundamenta, “Estranho porque, uma coisa é querermos apoiar um candidato, em eleições que ainda não estão marcadas, e outra coisa é atacar a liderança do partido a que pertences e a quem deve a obediência política que a estrutura de Gabú sempre te proporcionou”.
Revoltada com a posição de José Carlos Macedo, Dara Fonseca prossegue: “Gabú é das Regiões mais Democráticas da Guiné-Bissau onde todos encontram possibilidade de ascensão política (aquela que mais produz “Deputados pela primeira vez”). Lamento muito que Zé Carlos tenha traído Gabú dessa forma. Vulgarizando esse carácter democrático e posicionando como sendo aquele que vai manipular todos os fulas em Gabú”, concluiu.
Braima Camará candidato
A data ainda não está marcada, mas vários dos próximos do Presidente da República, tal como o ministro do Interior, Botche Candé e o Secretário de Estado da Ordem Pública, José Carlos Macedo Monteiro, já estão em campanha há quase um mês.
Um pouco por todo o país há uma discussão entre os militantes do MADEM, visivelmente divididos, em que os mais influentes pedem que Braima Camará seja candidato.
Belmiro Pimentel, o activista mais popular do partido, e a quem Umaro Sissoco Embaló “declarou guerra”, é uma das figuras dos círculos de Braima Camará que escreveu na sua página pessoal: “Quero Braima Camará candidato”. O mesmo desejo foi reclamado por Sarea Ramos, a activista e militante do MADEM conhecida por Sarathou Nabian, que se destacara como uma das maiores promotoras da imagem de Sissoco Embaló em 2019, mas agora não esconde que quer Braima Camará candidato.
