A diretora-geral de Alfabetização e Educação Não Formal, Mame Nilde Lopes Faye, alertou esta segunda-feira, 1 de junho, para a persistência de uma “elevada taxa de analfabetismo” na Guiné-Bissau, que, segundo os dados citados pela responsável, poderá atingir cerca de 70% da população.
A posição foi apresentada durante a segunda reunião do Conselho Diretivo do Ministério da Educação Nacional, Ensino Superior e Investigação Científica. A informação foi divulgada pelo próprio Ministério, através da sua página oficial na rede social Facebook.
Na intervenção perante o Conselho Diretivo, Mame Nilde Lopes Faye traçou um quadro considerado preocupante do subsetor da alfabetização e da educação não formal, apontando o analfabetismo como um dos principais entraves ao desenvolvimento económico e social do país.
Para a responsável, a resposta ao problema exige “políticas públicas consistentes, financiamento adequado e maior mobilização de recursos humanos e materiais”, num contexto em que a educação de adultos continua a depender de meios limitados e de programas com alcance insuficiente face à dimensão das necessidades.
Entre as iniciativas atualmente em curso, a Direção-Geral destacou o recurso à rádio como instrumento para levar aulas de alfabetização a comunidades de difícil acesso. Segundo a instituição, as aulas radiofónicas permitem alargar a cobertura territorial e garantir oportunidades de aprendizagem a cidadãos que não tiveram acesso ao ensino formal em idade escolar.
Os programas estão organizados em dois ciclos: o primeiro abrange o 1.º e o 2.º anos, enquanto o segundo integra o 3.º e o 4.º anos, com enfoque na leitura, escrita e cálculo. A metodologia já terá permitido formar milhares de cidadãos, mas, de acordo com Mame Nilde Lopes Faye, os resultados continuam aquém das necessidades do país.
Para os próximos anos, a Direção-Geral pretende reforçar os programas existentes, expandi-los para novas localidades e mobilizar mais parceiros nacionais e internacionais. Mame Nilde Lopes Faye solicitou ainda apoio institucional ao novo ministro da Educação, Barros Bacar Banjai, apelando à sua “magistratura de influência” para valorizar o subsetor e atrair mais recursos.
Entre os principais constrangimentos identificados, a responsável apontou a falta de fundos de maneio para despesas básicas, incluindo higiene e manutenção, situação que limita a capacidade operacional da Direção-Geral de Alfabetização e Educação Não Formal.
No encontro, o Conselho Diretivo do Ministério da Educação reconheceu a importância estratégica da alfabetização para a inclusão social, a participação cidadã e o desenvolvimento nacional, de acordo com a publicação oficial do Ministério.
