e-Global

Guiné-Bissau: Fernando Dias denuncia uso de património do Estado em campanha eleitoral

GB Fernando Dias

O candidato presidencial Fernando Dias, apoiado pelas coligações PAI-Terra Ranka e API-Cabas Garandi, denunciou esta segunda-feira, 3 de novembro, o uso indevido de bens e recursos do Estado na atual campanha eleitoral, afirmando que as estruturas governamentais estão a ser instrumentalizadas para favorecer concorrentes específicos.

A denúncia foi feita durante a assinatura de um acordo político na sede do Partido Africano da Independência da Guiné e Cabo Verde (PAIGC), em Bissau, cerimónia que contou com a presença de dirigentes das duas plataformas que formalizaram o apoio à candidatura de Fernando Dias às eleições presidenciais previstas para 23 de novembro.

“Eu tinha apenas um adversário, Domingos Simões Pereira. Se hoje ele se junta à minha candidatura, pergunto: haverá ainda adversário?”, questionou o candidato, num discurso marcado por críticas ao atual contexto político e por apelos à mobilização popular. “Reconhecemos que estão a usar o património de Estado para sustentar as suas campanhas, mas, com os nossos próprios meios, vamos vencê-los”, acrescentou.

Durante o seu discurso, Fernando Dias apelou aos militantes e simpatizantes das duas coligações para trabalharem “afincadamente pela libertação do país”, evocando a herança histórica da luta de libertação nacional. “Na luta de Cabral, muitos camaradas também abandonaram o movimento e juntaram-se aos colonialistas, mas depois voltaram, e compreenderam o verdadeiro sentido da causa comum”, recordou, numa referência simbólica à necessidade de coesão nacional.

O candidato independente, que também lidera uma das alas do Partido da Renovação Social (PRS), reafirmou o seu compromisso com a legalidade e a estabilidade institucional, garantindo que, se for eleito Presidente da República, respeitará e fará respeitar a Constituição da Guiné-Bissau. “A Constituição é a bússola que deve orientar todos os guineenses, independentemente das divergências políticas”, sublinhou.

Num cenário político cada vez mais fragmentado, o acordo assinado é visto como um sinal de convergência estratégica entre diversos setores da oposição, num momento em que o país se prepara para um novo ciclo eleitoral.

Exit mobile version