De acordo com relatos de deslocados que se encontram alojados na cidade de Pemba, desde 21 de janeiro, a vila de Mucojo, em Cabo Delgado, está sob controlo dos insurgentes, que pediram aos residentes para não respeitarem a ordem de abandono das suas casas.
Quase um mês depois do assalto e da ocupação da vila de Mucojo por rebeldes, as autoridades do distrito de Macomia decretaram a retirada compulsiva dos residentes desta vila pesqueira. Os insurgentes e a população estiveram, nos dois últimos meses, em convivência pacífica, em Mucojo. Os insurgentes apelaram agora à população que não cumpra a ordem de abandono, insistindo que vão garantir a sua segurança.
O aviso de retirada foi transmitido por alguns líderes locais, mas não foram avançadas as razões da evacuação daquela zona, explicou Ché Abdalá, um pescador local. “Eu participei numa reunião com o novo chefe da localidade em Masiva, e lá foi dada a informação que toda a população deve sair”, contou Adrisse Abdalá, anotando que, face ao aviso, os “insurgentes também advertiram que um novo reforço está a chegar para a segurança da população”.
Por outro lado, os líderes locais receiam que a população seja usada como escudo humano, numa possível investida das Forças de Defesa e Segurança (FDS) com apoio das forças da SADC e do Ruanda para a retomada do controlo de Mucojo. “Assim, aqui estamos à espera. Todos os insurgentes que estavam a atacar no sul de Cabo Delgado (Chiure e Metuge) estão a caminho da aldeia de Mucojo”, afirmou Adrisse Abdalá.
Outro morador explicou que algumas pessoas estão a fugir de forma sorrateira, por estrada ou por mar, para Napala, onde apanham transportes semi-coletivos para Pemba ou outros distritos seguros.
Os deslocados que fogem de Mucojo através da via marítima estão a ser parados pelas FDS nas ilhas de Quirambo e Matemo, no distrito de Ibo. “Tivemos a ordem para sair. O inimigo disse que vêm reforçar porque o Governo está a tirar a população. Assim estamos à espera, numa incerteza e isso deixa claro que o governo e os insurgentes disputam a mesma população”, disse outro morador local.
O administrador do distrito de Macomia, Tomás Bandae, não teceu qualquer comentário sobre o assunto.
Aurélio Sambo – Correspondente
