O candidato presidencial Venâncio Mondlane convocou uma greve geral para esta segunda-feira, 21 de outubro, com o objetivo de chamar a atenção para o homicídio de dois dos seus apoiantes.
Recorde-se que o advogado Elvino Dias, mandatário e assessor jurídico de Venâncio Mondlane, e Paulo Guambe, porta-voz do PODEMOS, foram assassinados a tiro na noite da passada sexta-feira, dia 18, em Maputo.
O sucedido levou a uma “guerra” praticamente declarada entre Mondlane e as Forças de Defesa e Segurança (FDS), a quem o político atribuiu a autoria material dos assassinatos.
Neste protesto de segunda-feira, o político e também jornalistas acabaram por ser alvos de ataques vindos da Polícia da República de Moçambique (PRM), que, de acordo com o “MMO Notícias”, interveio de forma enérgica para dispersar a manifestação no centro de Maputo.
A PRM terá recorrido a granadas de gás lacrimogéneo e feito disparos para o ar. Em reação ao sucedido, os participantes começaram a lançar pedras e artefatos pirotécnicos, o que levou à escalada do conflito. As autoridades recorreram ao uso de cães e de um helicóptero para sobrevoar a área.
“A mim podem matar”, diz Mondlane
Venâncio Mondlane fez declarações à imprensa na tarde de sábado, dia 19, para dizer que “está claro que foram as Forças de Defesa e Segurança que fizeram este crime”, referindo-se assim aos assassinatos de Elvino Dias e Paulo Guambe.
“Logo após o assassinato, homens do SERNIC [Serviço Nacional de Investigação Criminal] e do SISE [Serviço de Informações e Segurança do Estado], que estiveram aqui, arrancaram e quebraram os telefones dos jovens que estavam aqui, recolheram as cápsulas das balas para retirar vestígios acusatórios na perícia. Temos provas disso”, assegurou.
O político acrescentou que as pessoas que realizaram o crime não pretendiam apenas acabar com o indivíduo, mas com a sua causa. “A mim podem matar, mas a minha luta, essa é que não vai morrer. Então, este é o sentimento que eu tenho agora. Estou a reerguer-me para a luta, estou a reerguer-me para dar um catalisador maior para esta chama que, até certo ponto, estava ténue, mas acho que, a partir de hoje, está a arder no coração de muitos jovens”, concluiu.
De recordar também que Mondlane já se auto-proclamou Presidente da República eleito após as eleições de 09 de outubro, tendo mencionado que a contagem paralela do PODEMOS lhe dá vitória em nove círculos eleitorais, dos 11 existentes no país.
