O poeta português Nuno Júdice, um dos mais importantes nomes da poesia contemporânea nacional, faleceu, este domingo, aos 74 anos. A notícia foi anunciada pela editora Dom Quixote, que escreveu, “com profundo pesar e sentida consternação”, que tomou “conhecimento da triste notícia do falecimento de Nuno Júdice, em Lisboa, vítima de doença. Uma notícia que abalou todos os que trabalharam mais de perto com Nuno Júdice mas, com toda a certeza, todos os seus muitos leitores e admiradores. E que sem dúvida deixa mais pobre a literatura e a poesia portuguesas”.
O Presidente da República, através de uma nota de homenagem, destacou o seu papel “decisivo numa época de transição da poesia portuguesa, entre as tendências experimentais da década de 1960 e o tom mais quotidiano dos anos 80 e seguintes”. “Não se parecia com nenhum outro”, acrescentou Marcelo Rebelo de Sousa, recordando os “versos por vezes longos, discursivos, meditativos, o tom tardo-romântico, as interrogações sobre a noção de poema, mais tarde o pendor evocativo, melancólico ou irónico”.
Nuno Júdice foi um dos poetas portugueses mais publicados e traduzidos, tendo a sua obra merecido reconhecimento internacional com vários prémios, dos quais se destaca o Prémio Ibero-Americano Rainha Sofia, o prémio PEN do Clube Galego e o Grande Prémio de Poesia Maria Amália Vaz de Carvalho da Associação Portuguesa de Escritores.
Licenciou-se em Filologia Românica pela Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa e obteve o grau de Doutor pela Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa. Foi professor do ensino secundário e docente da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas.
Nuno Júdice foi diretor da revista literária Tabacaria, Comissário para a área da Literatura da representação portuguesa à 49ª Feira do Livro de Frankfurt, Conselheiro Cultural da Embaixada de Portugal e diretor do Instituto Camões em Paris. Organizou a Semana Europeia da Poesia, no âmbito da Lisboa 1994 – Capital Europeia da Cultura, e dirigiu ainda a Revista Colóquio-Letras da Fundação Calouste Gulbenkian.
A 10 de junho de 1992, foi agraciado com o grau de Oficial da Ordem Militar de Sant’Iago da Espada e, a 7 de junho de 2013, foi elevado a Grande-Oficial da mesma ordem.
