Um estudo da BPI e da BPI Vida e Pensões revela que a maioria dos portugueses continua a poupar sobretudo para responder a despesas imediatas, deixando a preparação para a reforma em segundo plano.
Segundo o relatório “Pensar o Futuro”, cerca de 63,3% dos portugueses poupam atualmente, mas apenas 22,1% têm um Plano Poupança Reforma (PPR). A maioria continua a preferir depósitos bancários e produtos de capital garantido, privilegiando segurança e liquidez no curto prazo.
O estudo mostra também um desfasamento entre consciência e ação. Embora 67,3% reconheçam a importância de planear o futuro financeiro, apenas metade afirma pensar regularmente no longo prazo. Os portugueses estimam viver, em média, até aos 84,2 anos, mas acreditam que a saúde começará a deteriorar-se a partir dos 66,5 anos, aumentando o período de dependência de pensões e poupanças.
A investigação conclui ainda que apenas uma minoria adota uma estratégia estruturada de preparação financeira para o futuro, enquanto a maioria tenta equilibrar necessidades presentes com alguma preocupação futura.
O relatório alerta igualmente para a pressão crescente sobre o sistema público de pensões. Projeções da Comissão Europeia indicam que as despesas com pensões poderão atingir 15% do PIB até 2046, reforçando o risco de reformas mais baixas face ao último salário.
O estudo foi coordenado pela académica Maria João Valente Rosa e envolveu mais de 800 entrevistas realizadas em Portugal Continental.
