A Missão Internacional Independente de Apuração de Fatos para o Sudão apresentou ao Conselho de Direitos Humanos da ONU um relatório alarmante intitulado “Uma Guerra de Atrocidades”. O documento acusa os paramilitares das Forças de Apoio Rápido (RSF) de cometerem crimes contra a humanidade, incluindo perseguição, extermínio, violência sexual e assassinatos em larga escala.
Segundo os investigadores, tanto as RSF como as Forças Armadas Sudanesas têm atacado deliberadamente civis e destruído infraestruturas essenciais, como hospitais, mercados, sistemas de abastecimento de água e campos que acolhem deslocados pelo conflito iniciado em abril de 2023. O relatório denuncia ainda que a fome tem sido usada como arma de guerra, impedindo o acesso da população a alimentos e medicamentos.
A investigação, conduzida por Mohamed Chande Othman e outros três peritos, baseou-se em mais de 200 entrevistas com sobreviventes, material audiovisual e informações de organizações civis. As conclusões apontam para crimes em larga escala durante o cerco de Al-Fasher, em Darfur do Norte, atualmente um dos principais palcos do conflito.
De acordo com a ONU, centenas de milhares de pessoas permanecem sitiadas em Al-Fasher, sob grave risco humanitário. Até ao momento, nenhuma das partes em confronto respondeu aos pedidos de comentário sobre as acusações.
