A produção de arroz na Tanzânia enfrenta uma nova ameaça com a rápida propagação do pulgão-amarelo-da-cana-de-açúcar (Sipha flava), uma praga que já está a causar danos significativos em várias regiões agrícolas do país.
Especialistas alertam que o insecto está a comprometer a produtividade da cultura e coloca em risco a segurança alimentar e os rendimentos de milhares de famílias dependentes do arroz.
Inicialmente identificado em plantações de cana-de-açúcar, o pulgão foi observado pela primeira vez na Tanzânia em meados de 2018 e oficialmente reportado em 2020.
Desde então, a praga expandiu-se para os ecossistemas de produção de arroz, afectando importantes zonas agrícolas como Kilimanjaro, Morogoro e Mbeya. Trata-se de um insecto que alimenta-se da seiva das plantas, provocando o amarelecimento das folhas, reduzindo a fotossíntese e diminuindo a produção de grãos.
De acordo com o professor Constantine Busungu, da Universidade de Dar es Salaam (UDSM), o Sipha flava demonstra elevada capacidade de adaptação a diferentes condições agroecológicas, o que tem facilitado a sua disseminação.
Perante o agravamento da situação, a Comissão de Ciência e Tecnologia da Tanzânia (COSTECH), com apoio do Programa de Chamada Climática da NORAD, está a financiar um projecto de investigação de quatro anos avaliado em 301 milhões de xelins tanzanianos, para desenvolver estratégias sustentáveis para o controlo da praga, tendo como foco a sua distribuição, ecologia, impacto nos agricultores e métodos eficazes de gestão em condições de mudanças climáticas.
O projecto é implementado pela Universidade de Dar Es Salaam em parceria com vários centros do Instituto de Pesquisa Agrícola da Tanzânia (TARI).
Segundo o investigador Wilson Masele, o objectivo vai além do estudo da biologia do inseto, procurando criar soluções práticas e duradouras que possam ser aplicadas diretamente pelos agricultores para proteger as suas colheitas e garantir a sustentabilidade da produção de arroz no país.
A praga sipha flava é originária das Caraíbas, já foi registada em várias partes do mundo, incluindo países africanos como Marrocos, África do Sul, Zâmbia, Zimbabwe, Malawi e Quénia, antes de chegar à Tanzânia.
