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Desigualdade económica agrava a saúde e a educação das crianças nos países ricos, refere a UNICEF

A UNICEF alertou que a desigualdade económica nos países mais ricos do mundo está directamente associada a piores condições de saúde e a resultados escolares mais fracos entre as crianças. A conclusão consta do novo relatório “Oportunidades Desiguais – Crianças e desigualdade económica”, divulgado pelo gabinete de investigação Innocenti da organização.

O estudo analisou a realidade de 44 países da OCDE e outras economias de rendimento elevado, concluindo que os níveis de desigualdade e pobreza infantil continuam elevados. Em média, as famílias pertencentes aos 20% mais ricos recebem mais de cinco vezes o rendimento das famílias dos 20% mais pobres, enquanto quase uma em cada cinco crianças vive em situação de pobreza.

Segundo o relatório, as crianças que crescem em países mais desiguais têm 1,7 vezes mais probabilidade de sofrer excesso de peso quando comparadas com crianças de países mais igualitários. A UNICEF associa esta situação a dietas menos saudáveis ​​e à dificuldade de acesso regular à alimentação nutritiva. Dados da União Europeia mostram ainda que apenas 58% das crianças das famílias mais pobres apresentam níveis considerados de “muito boa saúde”, contra 73% entre as famílias mais ricas.

A investigação também identifica impactos fortes no desempenho escolar. Nos países com maiores desigualdades econômicas, as crianças apresentam maior probabilidade de abandonar a escola sem competências básicas de leitura e matemática. Em média, 83% dos adolescentes das famílias mais ricas alcançam níveis mínimos de proficiência escolar, enquanto entre os mais pobres essa porcentagem cai para 42%.

O diretor do UNICEF Innocenti, Bo Viktor Nylund , defendeu um reforço urgente ao investimento em saúde, educação e proteção social para crianças em comunidades vulneráveis. O relatório recomenda medidas como reforço das prestações sociais, melhoria das infraestruturas em bairros desfavorecidos, acesso universal às refeições escolares saudáveis ​​e redução da segregação económica nas escolas.

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