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França: Actos anti-semitas aumentaram 1000% desde o massacre do Hamas

Judaísmo

Nos três meses que seguiram o massacre perpetrado pela organização terrorista islamista palestiniana Hamas contra Israel, a 07 de Outubro de 2023, o número de actos anti-semitas em França ultrapassou a totalidade dos actos das mesmas características registados nos últimos três anos.

A informação foi avançada pelo Conselho Representativo das Instituições Judaicas de França (Crif) que precisa que em 2023 foram recenseados, pelo ministério do Interior e pelos Serviços de Protecção da Comunidade Judaica (SPCJ), 1 676 actos anti-semitas, contra 436 em 2022.

As acções anti-semitas foram assinaladas em  632 cidades e em 95 dos 101 Departamentos franceses, que representa 94 % dos Departamentos.

Tendo como exemplo a cidade de Saint Denis, na periferia norte de Paris, devido à ameaça anti-semita permanente, em apenas dez anos mais de 80% dos franceses de religião judaica tiveram de abandonar a cidade. Os que permanecem foram forçados a tirar os filhos das escolas públicas devido à insegurança crónica, ameaças e agressões constantes contra os estudantes de religião judaica. Segundo o Crif, em 2023, 12,7% dos actos anti-semitas cometidos em França ocorreram no meio escolar.

Cerca de 60% dos actos anti-semitas foram traduzidos por agressões físicas, ameaças, distribuição de folhetos caracterizadamente anti-semitas e cartas com ameaças e insultos, tal como foi alvo a 24 de Janeiro o deputado socialista Jérôme Guedj que recebeu na Assembleia duas cartas em que é insultado como “porco judeu” para além do teor negacionista e complotista de uma das cartas anónimas.

Segundo dados do Crif sempre que ocorre um ataque terrorista de carácter islamista em França, os actos anti-semitas disparam. Em 2012 após os mortíferos ataques do terrorista islamista Mohamed Merah, os actos anti-semitas dispararam 200%. Após o atentado ao supermercado Hyper Cacher em 2015, perpetrado pelo islamista Amedy Coulibaly, que exigia o fim do cerco da polícia aos terroristas islamistas responsáveis pelo massacre do jornal Charlie Hebdo, os actos anti-semitas aumentaram 300%. Com o massacre do Hamas em Israel a 07 de Outubro, os actos anti-semitas em França dispararam 1000%.

Apesar dos números alarmantes registados pelo ministério do Interior, Crif, SPCJ, e pelo Observatório Judaico de França (OJF), representam unicamente a ponta de um iceberg. A maior parte das pessoas de religião judaica preferem não assinalar que foram, ou são, vítimas de qualquer tipo de acto anti-semita com receio de represálias ou de serem alvo da multiplicação desses actos.

Mikael Cohn

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