A diretora-geral do Fundo Monetário Internacional, Kristalina Georgieva, afirmou que a economia mundial tem demonstrado capacidade de resistência perante os impactos da guerra no Médio Oriente, mas alertou que essa aparente estabilidade esconde diferenças significativas entre países e regiões. Num artigo publicado a 15 de junho, Georgieva sublinhou que os preços das matérias-primas, a inflação e as condições financeiras foram afetados pelo conflito, embora sem provocar, até ao momento, uma desaceleração económica global generalizada.
Segundo o FMI, os preços do petróleo permanecem cerca de 30% acima dos níveis registados antes do início da guerra, impulsionados pelo encerramento prolongado do Estreito de Ormuz e pelos danos causados à infraestrutura energética da região. Apesar disso, fatores como a utilização das reservas estratégicas por parte da China, o aumento da produção fora do Golfo e medidas governamentais destinadas a conter o impacto dos preços da energia ajudaram a limitar os efeitos sobre a economia mundial.
O relatório destaca, contudo, que os países mais vulneráveis são aqueles que dependem fortemente das importações de energia e dispõem de reduzida margem de manobra orçamental. Em África, os efeitos são particularmente visíveis, com vários países a enfrentarem escassez de combustíveis, aumento dos custos de importação e pressões acrescidas sobre as finanças públicas. Em Estados como o Lesoto, o Ruanda e a Tanzânia, os preços da gasolina aumentaram cerca de 50% desde o início do conflito, agravando também os custos dos alimentos e fertilizantes.
Perante este cenário, o FMI defende políticas monetárias e orçamentais prudentes para conter a inflação e proteger os grupos mais vulneráveis. A instituição alerta que o prolongamento da guerra ou novas perturbações no fornecimento de energia poderão representar um risco significativo para o crescimento económico global. Ao mesmo tempo, o Fundo garante que continuará a prestar assistência técnica e financeira aos países mais afetados, incluindo várias economias africanas que enfrentam maiores necessidades de financiamento externo.
