O Presidente Libanês Joseph Aoun, durante uma reunião no Palácio Presidencial de Baabda (Beirute) na terça-feira concedeu a nacionalidade Libanesa a Gianni Infantino, o Presidente da FIFA.
Infantino, nacional Suíço-Italiano, é casado com Lina al-Ashkar, também nascida na Suíça e descendente de libaneses, que o acompanhou na sua visita de dois dias ao Líbano destinada a trocar impressões sobre a possibilidade de construção de um novo estádio de futebol. Segundo Infantino, a FIFA tenciona financiar a construção de um novo estádio em Beirute com capacidade para 20.000 a 30.000 espectadores. O líder da FIFA afirmou que “um estádio hoje em dia não é apenas um local de entretenimento; é um símbolo do país, e o Líbano precisa de um símbolo desportivo moderno para os jovens.”
Joseph Aoun observou que a concessão da cidadania a Infantino está em linha com a “forte relação entre o Líbano e a FIFA, e com os projetos que Infantino apoiou nos últimos anos para fortalecer as infraestruturas do futebol libanês”, apesar das críticas dirigidas ao líder da FIFA nos últimos meses por organizações internacionais e grupos de activistas que acusaram Infantino de não suspender equipas de futebol Israelitas durante o genocídio em Gaza perpetrado pelo Estado de Israel nos últimos dois anos.
Apesar da atribuição da nacionalidade Libanesa a Infantino ter celebrada com entusiasmo por Aoun, esta decisão causou polémica entre a população, que tem em conta que as mães Libanesas não têm poder legal de transmitir a sua nacionalidade aos respetivos filhos. No Líbano, esta lei impede as mulheres casadas com estrangeiros de transmitirem a cidadania Libanesa aos seus filhos, enquanto os filhos de pais Libaneses passam a ser automaticamente cidadãos.
A cidadania pode também ser concedida por decreto presidencial, um procedimento raro e excecional, como no caso de Infantino. Ativistas encheram as redes sociais com conteúdo crítico à recente ação de Aoun, descrevendo a decisão do Presidente Libanês como “uma manifestação de ‘desigualdade’, referindo que a porta para a cidadania está aberta a figuras “influentes e distintas”, enquanto as mulheres Libanesas continuam privadas do seu direito mais básico de transmitir a sua nacionalidade aos filhos.”
João Sousa, correspondente para a e-Global a partir do Líbano
