Os progressos globais na área da saúde estão sob ameaça de retrocesso, segundo o mais recente relatório Estatísticas Mundiais de Saúde 2026, divulgado pela Organização Mundial da Saúde (OMS) em Genebra. O documento alerta que, apesar de melhorias significativas na última década, o mundo continua longe de cumprir as metas dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável na área da saúde até 2030, com avanços desiguais e, em alguns casos, já em reversão.
Entre os progressos registados destacam-se a redução de 40% nas novas infeções por VIH entre 2010 e 2024, a diminuição do consumo de tabaco e álcool e a melhoria no acesso a serviços essenciais como água potável, saneamento e higiene. No entanto, a OMS sublinha que estas conquistas não são suficientes para compensar os desafios persistentes e emergentes que continuam a afetar milhões de pessoas em todo o mundo.
O relatório chama ainda a atenção para problemas graves que permanecem ou estão a agravar-se, como o aumento da incidência da malária desde 2015, a persistência da anemia em mulheres em idade reprodutiva e o crescimento do sobrepeso infantil. A organização alerta também para o impacto contínuo de fatores como a poluição do ar e a violência doméstica, que continuam a provocar milhões de mortes evitáveis todos os anos.
Segundo o diretor-geral da Organização Mundial da Saúde, Tedros Adhanom Ghebreyesus, os dados revelam uma realidade de progresso desigual e insuficiente, especialmente para mulheres, crianças e populações vulneráveis. O responsável defende que o investimento em sistemas de saúde mais fortes e equitativos é essencial para reduzir desigualdades e recuperar o ritmo necessário para atingir as metas globais.
A OMS alerta ainda para uma fragilidade estrutural importante: a falta de dados de qualidade sobre saúde em muitos países. Apenas uma pequena parte dos Estados reporta regularmente informações completas sobre mortalidade, o que limita a capacidade de resposta das políticas públicas. Perante este cenário, a organização apela a ações urgentes para reforçar sistemas de saúde, melhorar a recolha de dados e garantir financiamento sustentável, de forma a proteger os avanços alcançados e evitar um retrocesso global.
