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Guiné-Bissau: WANEP-GB considera que o Estado perdeu o controlo da situação

Wanep Denise dos Santos Indeque

A Rede Oeste Africana para Edificação da Paz (WANEP-GB) considera que “o Estado perdeu o controlo da situação, devido à sua fragilidade institucional”, tornando-o “permeável e vulnerável à corrupção, ao tráfico de droga, de contrabandos, tráfico de menores, prostituição infantil”.

Na sua mensagem quinzenal sobre os direitos humanos, tornada pública esta terça-feira, 18 de Fevereiro, a Coordenadora da organização sub-regional má Guiné-Bissau, Denise dos Santos Indique, disse que a luta e o controlo pelo poder político na Guiné-Bissau parece ser “uma questão de vida ou morte”, em que cria-se “o inimigo no imaginário, mesmo que esse não exista de facto”, apontando ainda que “elaboram-se circunstâncias passíveis para que isso venha a acontecer em detrimento dos interesses colectivos”.

“Observa-se actualmente uma Guerra de Informação, transformando a Guiné-Bissau numa sociedade altamente polarizada, partidos políticos, sindicatos, jornalistas, sociedade civil estão divididos em direcções e organizações paralelas, e com dificuldades de dialogar”, disse a activista.

Para Denise dos Santos Indique “essa guerra desenfreada pelo poder, não permitiu a definição de estratégias e políticas públicas claras, com vista à fixação das metas em função dos meios e objectivos traçados rumo ao desenvolvimento sustentável”.

A controvérsia em torno do término de mandato de Presidente da República Umaro Sissoco Embaló também mereceu a atenção da organização da sociedade civil da África Ocidental, que referiu que “já não se consegue diferenciar factos da manipulação. E conclui-se que, a geografia política moldou a integridade e a compostura da classe intelectual guineense”.

“A interpretação oportunista da nossa Constituição por alguns juristas sobre o fim do mandato do Presidente da República, é uma demonstração clara do alto nível de polarização da sociedade guineense e leva a uma desconfiança nas instituições do Estado”, destacou.

Segundo a activista “o nível de consumo de drogas nos jovens ultrapassa o controlo dos pais e encarregados da educação devendo ser necessariamente assumido pelo próprio Estado, que também enfrenta um momento crítico de incerteza política devido à falta de definição da data das eleições legislativas e presidenciais que certamente ocorrerão após o término do mandato do Presidente da República, previsto para 27 de Fevereiro de 2025 ou 4 de Setembro de 2025, como tem defendido as duas correntes de opiniões na praça pública”.

“A ser assim, pressupõe-se que, a partir do dia 27, vamos mergulhar ainda mais numa situação de maior crise, cujo desfecho é imprevisível, mas muito mais perigosa”, por isso a ONG recomenda aos actores políticos e à sociedade civil guineenses “a darem prioridade ao diálogo inclusivo” para que se chegue ao entendimento sobre a data da realização de eleições legislativas e presidenciais, concomitantemente a clarificação da situação da CNE (Comissão Nacional de Eleições) e do STJ (Supremo Tribunal de Justiça)”, recomendou Denise dos Santos Indique.

Para Denise dos Santos, “sinais não faltam para que cada um entenda o que deve fazer. Políticos, o tempo urge. Não caiam na peneira errada! Sejam trigos! Sejam promotores da paz, pois, o contexto atual ameaça a estabilidade do país e coloca em risco o progresso social e económico alcançado até aqui, mas, e sobretudo, o futuro da juventude guineense”.

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