Segundo a monitorização dos preços das mercadorias efetuada pela Conferência das Nações Unidas sobre Comércio e Desenvolvimento (Unctad), os preços do cacau subiram 136%, entre julho de 2022 e fevereiro de 2024.
As ondas de calor e chuvas intensas que se verificaram ultimamente estão a prejudicar as colheitas na África Ocidental, zona onde é produzido cerca de três quartos do cacau do mundo. A análise da Unctad destaca que os cacaueiros que crescem perto da linha do Equador são sensíveis às mudanças climáticas e ao fenómeno El Niño, que causou um clima mais quente e mudanças nos padrões de chuva.
Com a redução do nível de produção e a diminuição da oferta de cacau, o preço da mercadoria regista, globalmente, um aumento. De acordo com a Unctad, o valor por tonelada ultrapassou os 10 mil dólares, pela primeira vez.
A crise climática tem prejudicado as colheitas, pelo terceiro ano consecutivo, atingindo os consumidores do chocolate. A produção, sobretudo no Gana e na Costa do Marfim (países responsáveis por 58% da produção), tem sido afetada pelo vírus do rebento inchado e da doença da vagem preta, uma condição que faz com que as vagens de cacau apodreçam e endureçam.
A Organização Internacional do Cacau espera um deficit global de cerca de 374 mil toneladas para a temporada 2023-2024, em comparação com 74 mil toneladas na temporada passada.
A Unctad alerta que o aumento do preço do cacau é apenas um exemplo de como as mudanças climáticas têm impactos de longo alcance na sociedade e na economia, sublinhando a necessidade de combater as alterações climáticas.