Presidente do Brasil visitou a Rússia para discutir relações comerciais e guerra na Ucrânia

Durante visita à Rússia, entre os dias 7 e 10 de maio, o presidente brasileiro, Luiz Inácio Lula da Silva, ressaltou que uma das intenções das conversas bilaterais com o presidente russo, Vladimir Putin, foi “trabalhar para equilibrar o déficit comercial entre as duas nações e gerar oportunidades para o Brasil em setores como a transição energética e área de minerais críticos”.

“Nós temos uma relação comercial deficitária aqui na Rússia. No fluxo de praticamente 12 mil milhões de dólares anuais, nós temos quase 11 mil milhões de déficit comercial. A minha vinda aqui foi para discutir comércio, para tentar equilibrar, porque trabalhamos com a ideia de que uma boa política comercial é uma via de duas mãos. A gente compra e a gente vende mais ou menos na mesma proporção para que ninguém seja prejudicado”, afirmou Lula, que recordou que a Rússia é um “parceiro importante na questão de óleo e gás e em pequenos reatores nucleares, “uma novidade extraordinária para que a gente possa ter energia garantida para todo o sempre”.

“Sabemos que em um país que quer ser a sétima, a sexta, a quinta economia do mundo, vai precisar de ter muita energia e garantia de que nunca vai faltar”, disse Lula, realçando que o sistema brasileiro de distribuição energética já está quase 100% integrado.

Para ampliar os canais de comércio, o presidente levou para a Rússia ministros conectados ao setor de energia e ciência e tecnologia, retomou na conversa com os russos sobre os canais para instâncias de conversa em alto nível entre as duas nações e acordou a visita de empresários e representantes russos para o Brasil nos próximos meses.

Um dos focos é também a pesquisa e exploração dos chamados minerais críticos, como lítio, cobalto, níquel, grafite, e elementos das terras raras, essenciais para setores estratégicos, como tecnologia, defesa e transição energética.

“Nós temos a ideia de aumentar a nossa pesquisa e exploração de minerais críticos, porque só se fala nisso agora e achamos que o Brasil não pode jogar fora nenhuma oportunidade. A oportunidade da transição energética, dessa transição climática, desses minérios críticos, porque apenas 30% do nosso território já foi pesquisado, ainda falta muita coisa para pesquisar e nós queremos construir parceria com todos os países do mundo que têm expertise, para que a gente possa tirar proveito e para que o Brasil se transforme numa grande economia”, definiu Lula.

Segundo dados do governo brasileiro, em 2024, o comércio bilateral entre Brasil e Rússia atingiu recorde histórico, de US$ 12,4 mil milhões (aumento de 9% em relação a 2023). Foram US$ 1,4 mil milhão de exportações (aumento de 8% em relação a 2023) e US$ 11 mil milhões de importações brasileiras (aumento de 9%). Atualmente, as exportações brasileiras se concentram em soja (33%), café não torrado (18%) e carne bovina (18%). As importações envolvem óleos combustíveis de petróleo ou de minerais betuminosos (57%) e adubos e fertilizantes químicos (34%).

“O Brasil acha uma loucura ficar incentivando guerra”

Em Moscovo, Lula afirmou que a questão da paz entre Rússia e Ucrânia fez parte durante vários dos espaços de diálogo ao longo dos dois últimos dias de visita à Rússia.

“Vocês poderão perguntar: vocês discutiram a questão da guerra da Ucrânia? Discuti antes, durante e depois, porque dissemos ao presidente Putin aquilo que a gente vem dizendo desde que começou a guerra: a posição do Brasil é contra a ocupação territorial do outro país. O Brasil integra um grupo de países que, junto com a China, criou um grupo de amigos e eu disse ao presidente Putin que estamos dispostos a ajudar na negociação, desde que os dois países que se enfrentam queiram que a gente possa participar”, disse Lula.

Para o presidente do Brasil, além das perdas de vidas e estruturas materiais importantes nos países, as guerras fazem com que os países conectados e aliados invistam trilhões em defesa e armamentos e deixem de focar no que é efetivamente mais importante para a humanidade.

“O Brasil acha uma loucura ficar incentivando guerra, a Europa estar voltando a se armar, a Inglaterra estar voltando a se armar. Estamos gastando trilhões de dólares com armas, quando o mundo precisa que a gente gaste trilhões com educação, saúde e comida para o povo que está passando fome. É esse mundo que a gente quer construir”, completou Lula, que também fez uma referência à importância simbólica do evento dos 80 anos do fim da Segunda Guerra Mundial, que acompanhou em Moscou.

“Esse é um país que, de todos os que participaram com os Aliados, foi o que mais perdeu gente. Perdeu praticamente 26 milhões de pessoas. Chegou num momento em que a população, a juventude, praticamente estava dizimada pela Segunda Guerra Mundial. Eu vim ver porque é uma festa importante. Precisamos ter consciência de que a gente não pode nunca mais permitir, sabe, que coisas como o nazismo voltem a acontecer no planeta Terra”, defendeu.

Ígor Lopes

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