Uma guerra de palavras vem ganhando força nas redes sociais e nos meios de comunicação entre cidadãos quenianos e tanzanianos, em protesto contra a deportação, pela Tanzânia, de ativistas e advogados de direitos humanos do Quênia.
O episódio ocorreu na semana passada, quando os mesmos tentaram acompanhar o julgamento do líder da oposição tanzaniana Tundu Lissu detido desde abril passado.
Nas redes sociais e na imprensa, internautas e comentaristas de ambos os países da África Oriental trocam acusações. Os tanzanianos, incluindo deputados do partido no poder, o Chama Cha Mapinduzi, defendem a presidente Samia Suluhu Hassan, alegando que os activistas quenianos viajaram ao país com a intenção de provocar instabilidade política.
Por sua vez, muitos quenianos acusam a presidente tanzaniana de violar direitos humanos, princípios democráticos e os ideais de boa convivência entre os povos da região, especialmente considerando que ambos os países são membros da Comunidade da África Oriental.
Enquanto Samia Hassan, que pretende concorrer à reeleição nas eleições de outubro, classificou a presença dos activistas como uma tentativa de desestabilização, o presidente queniano William Ruto adaptou um tom mais conciliador. Em um evento realizado em Nairóbi, declarou “Aos nossos vizinhos tanzanianos, se de alguma forma os ofendemos, pedimos desculpas”. No entanto, em carta enviada à presidente Samia, lamentou o facto de que, apesar de vários pedidos, autoridades consulares quenianas não tenham obtido acesso a informações sobre o ativista Boniface Mwangi, detido na Tanzânia.
Tanzânia também negou a entrada no país à ex-ministra da Justiça do Quênia e líder da oposição Martha Karua, que pretendia assistir ao julgamento de Tundu Lissu. Além disso, um ativista ugandês também foi deportado.