A China acusou esta segunda-feira os Estados Unidos de violarem gravemente o acordo de tréguas comerciais alcançado em Genebra no mês passado, que tinha reduzido temporariamente as elevadas tarifas entre os dois países. O Ministério do Comércio chinês criticou as recentes restrições norte-americanas, que incluem a proibição da venda de software para o fabrico de chips, as advertências contra o uso de chips da Huawei e a revogação de vistos de estudantes chineses.
“Exortamos os Estados Unidos a corrigirem imediatamente estas práticas incorretas”, afirmou o Ministério num comunicado. “Se insistirem em prosseguir este caminho prejudicial, a China vai tomar medidas firmes para proteger os seus direitos e interesses legítimos”, alertou. Esta escalada acontece depois de Donald Trump ter afirmado que a China “violou totalmente” o acordo comercial, sem apresentar detalhes.
As tréguas, que duram 90 dias, foram marcadas por um alívio nas tarifas: Washington reduziu as taxas sobre produtos chineses de 145% para 30% e Pequim baixou as tarifas retaliatórias de 125% para 10%. No entanto, desde o anúncio, as tensões têm vindo a crescer, com a administração norte-americana a acusar a China de não remover barreiras não tarifárias e de restringir exportações de ímanes de terras raras.
O Ministério do Comércio chinês rejeitou as acusações, dizendo que os EUA estão a inverter a situação e a culpar injustamente Pequim.
Enquanto isso, espera-se que Washington duplique já esta quarta-feira as tarifas sobre aço e alumínio, passando de 25% para 50%, aprofundando ainda mais as divergências comerciais entre as duas maiores economias do mundo.