O “Livro Vermelho das Espécies Endémicas de São Tomé e Príncipe”, resultado do projeto financiado pelo Critical Ecosystem Partnership Fund (CEPF), apresenta a primeira avaliação detalhada do estado de conservação de 106 espécies de plantas únicas do arquipélago.
A investigação, que contou com a colaboração da investigadora Maria do Céu Madureira, do Centro de Ecologia Funcional da Universidade de Coimbra, mostra que duas espécies já estão extintas, enquanto outras 90 estão ameaçadas em diferentes graus, com destaque para 12 criticamente em perigo.
Entre as descobertas mais importantes estão a redescoberta de espécies raras que não eram vistas há mais de 50 anos, como Balthasaria mannii e Psychotria exellii, além da identificação de 17 espécies novas para a ciência, incluindo uma nova espécie dominante das florestas secas do norte da ilha.
O livro também mapeia 21 áreas de elevada importância para a preservação da flora, muitas delas fora da atual rede de Áreas Chave da Biodiversidade (KBA’s), reforçando a necessidade urgente de ações conservacionistas.
O documento apresenta ainda diretrizes para proteger os ecossistemas locais e destaca iniciativas de conservação ex situ, como o cultivo de plantas ameaçadas em viveiros locais e em áreas florestais degradadas.
Segundo Maria do Céu Madureira, fortalecer o conhecimento científico e capacitar técnicos locais são passos essenciais para garantir a resiliência dos ecossistemas frente às mudanças climáticas e preservar esse valioso patrimônio natural.