O Iémen enfrenta uma crise humanitária crescente, com mais de 17 milhões de pessoas em insegurança alimentar — número que poderá ultrapassar os 18 milhões até setembro. A situação é particularmente grave entre as crianças: um milhão com menos de cinco anos sofre de desnutrição aguda grave, uma condição que ameaça diretamente a vida. Ao mesmo tempo, surtos de cólera alastram nas zonas rurais, os hospitais estão sobrecarregados e os serviços urbanos em colapso.
Apesar dos esforços das organizações humanitárias no terreno, a resposta está a ser travada por falta de financiamento. A ONU alerta para uma lacuna crítica de recursos que compromete serviços vitais de saúde, proteção e nutrição, especialmente para os 6,2 milhões de mulheres e raparigas em risco de violência de género. O Fundo Humanitário do Iémen, criado em 2015, tem reforçado a cooperação com ONG locais, alocando quase metade dos seus recursos a entidades nacionais — um terço delas lideradas por mulheres.
O conflito interno entre os rebeldes houthis e o governo reconhecido internacionalmente mantém-se há uma década, e as tréguas parciais não impediram a escalada da violência. Nos últimos dias, os houthis intensificaram ataques a navios no Mar Vermelho, desencadeando retaliações aéreas por parte de Israel. A ONU alerta para o risco de o Iémen ser ainda mais arrastado para tensões regionais que envolvem o Irão, Israel e os Estados Unidos.
A ONU apela ao Conselho de Segurança para uma resposta urgente: libertação dos trabalhadores humanitários detidos, financiamento adicional para assistência alimentar e garantias de proteção a civis.