O Presidente de Angola, João Lourenço, de visita a Portugal hoje e amanhã, manifestou preocupação relativamente às recentes propostas do Governo português sobre a legislação da imigração, considerando que estas podem colocar em causa o futuro da Comunidade de Países de Língua Portuguesa (CPLP). “Vamos trabalhar todos em conjunto para evitar isso”, afirmou.
As novas regras, promovidas pelo Governo de Luís Montenegro e aprovadas pelo Parlamento português, geraram descontentamento entre alguns Estados-membros da CPLP.
Portugal já sabe que o Brasil pretende aplicar reciprocidade nas suas relações migratórias, e agora ouvirá diretamente de Luanda o impacto destas decisões.
Em entrevista à TVI/CNN Portugal, João Lourenço admitiu que, embora cada país seja soberano para definir as suas políticas migratórias, Portugal, com uma longa história de emigração, deveria ser mais cauteloso ao restringir o acolhimento aos imigrantes.
O Presidente angolano recordou ainda a histórica relação migratória entre os dois países, destacando o fluxo de portugueses que, durante as últimas décadas, se estabeleceram em Angola, especialmente durante o período da crise económica em Portugal e o boom económico angolano.
Apesar do aumento significativo da comunidade angolana em Portugal, que em 2023 ultrapassou os 55 mil residentes, o número de portugueses a viver em Angola, ainda que em queda, era mais do dobro no final do ano passado, com cerca de 112 mil.
João Lourenço afirmou que abordará o tema durante as reuniões oficiais, não apenas em nome de Angola, mas também como presidente em exercício da União Africana, destacando ainda a importância de preservar os compromissos da CPLP.