Um estudo recente da Organização Mundial da Saúde (OMS) revelou dados alarmantes sobre maus-tratos a mulheres durante a gravidez e o parto.
Segundo a investigação, pelo menos 40% das entrevistadas afirmaram ter sido vítimas de abusos médicos, incluindo agressões físicas, negligência e procedimentos realizados sem consentimento. O levantamento aponta que, em casos de exames vaginais, seis em cada dez não tiveram autorização prévia da paciente, e até 75% das intervenções mais delicadas ocorreram sem o devido consentimento.
O novo compêndio do Programa de Reprodução Humana da OMS, lançado este mês em Genebra, defende que o cuidado respeitoso deve estar no centro das estratégias de saúde materna e neonatal. O documento descreve medidas práticas para proteger os direitos, necessidades e preferências de mães, recém-nascidos e famílias, com o objetivo de eliminar maus-tratos e discriminação nos serviços de saúde.
A OMS sublinha que as mulheres devem participar ativamente nas decisões sobre o seu cuidado, reforçando a importância da dignidade e do respeito em todos os momentos. Casos documentados incluem bofetadas, gritos, contenção física e discriminação por parte de profissionais de saúde.
A OMS recorda que já em 2014 publicou uma declaração para prevenir o desrespeito e o abuso na assistência ao parto. O novo guia procura reforçar esse compromisso, fornecendo orientações para gestores e profissionais de saúde, de forma a garantir que práticas respeitosas se tornem a norma nos sistemas de saúde em todo o mundo.