Após mais de 500 dias de cerco, Al Fasher, no Norte do Darfur, tornou-se um epicentro de sofrimento infantil, alertou a UNICEF. Cerca de 260.000 civis permanecem presos na cidade, incluindo 130.000 crianças, sem acesso a ajuda humanitária há mais de 16 meses.
A situação é catastrófica: mais de 1.100 violações graves dos direitos das crianças foram verificadas desde abril de 2024, incluindo mortes, ferimentos, abuso sexual, sequestros e recrutamento por grupos armados. Recentemente, sete crianças morreram num ataque no campo de deslocados de Abu Shouk.
O cerco das Forças de Apoio Rápido (RSF) cortou linhas de abastecimento, forçando a suspensão de serviços de saúde e nutrição. Cerca de 6.000 crianças com desnutrição aguda severa estão sem tratamento. Centros de saúde e escolas têm sido atacados repetidamente, incluindo o hospital materno de Al Fasher.
A desnutrição aguda espalha-se rapidamente: mais de 10.000 crianças foram tratadas desde janeiro, mas a falta de suprimentos suspendeu os serviços. Na região de Mellit, a taxa de desnutrição aguda atingiu 34,2%, o valor mais alto desde o início da guerra em abril de 2023.
O cerco coincide com o pior surto de cólera em décadas no Sudão, com milhares de casos e dezenas de mortes em Darfur. Crianças enfraquecidas pela fome estão especialmente vulneráveis.