A economia do Japão expandiu-se mais do que o previsto no primeiro trimestre, apoiada por um aumento do consumo interno, segundo dados oficiais divulgados esta segunda-feira. O Produto Interno Bruto (PIB) cresceu 2,2% em termos anuais entre abril e junho, um valor bem acima da estimativa preliminar de 1%. Em termos trimestrais, o avanço foi de 0,5%, também superior à previsão inicial de 0,3%.
O consumo privado registou um aumento de 0,4%, face à estimativa anterior de 0,2%, impulsionando a procura interna para um crescimento de 0,2% em vez da contração de 0,1% inicialmente projetada.
Estes resultados positivos surgem apesar da pressão externa exercida pelas tarifas norte-americanas sobre produtos japoneses, nomeadamente automóveis, que passaram a enfrentar uma taxa de 15% contra os 2,5% anteriores.
A divulgação dos dados coincidiu com a demissão do primeiro-ministro Shigeru Ishiba, anunciada após a derrota histórica do seu partido nas eleições parlamentares de julho.
Ishiba explicou que só tomou a decisão depois de tentar avanços nas negociações pautais com Washington, numa altura em que a tensão comercial com os Estados Unidos continua a ser um dos maiores riscos para a economia nipónica.
Apesar da incerteza política, os mercados reagiram positivamente.
O índice Nikkei 225 avançou 1,4% nas negociações da manhã de segunda-feira, acompanhando a tendência de alta em várias praças asiáticas. Analistas sublinham que, embora a liderança transitória de Ishiba possa gerar alguma instabilidade, espera-se que a situação se estabilize com a escolha de um novo chefe de governo, mantendo-se, no entanto, os desafios estruturais do Japão no comércio internacional.