A Alemanha vai gastar este ano 1,6 mil milhões de euros em inteligência artificial, mais do que em qualquer outra tecnologia. Desde 2017, o orçamento público nesta área multiplicou-se por vinte, e as empresas alemãs também reforçam os investimentos. Ainda assim, especialistas alertam que a IA, apesar do entusiasmo, ainda não é um modelo de negócio rentável.
Segundo o investigador Rainer Rehak, do Instituto Weizenbaum, o setor vive sobretudo de dinheiro de investidores, sem retorno real – “Até agora não existe um caso de uso lucrativo que sustente os investimentos massivos. Se isso não mudar, a bolha pode rebentar”, afirma.
Até mesmo Sam Altman, CEO da OpenAI, já reconheceu riscos de especulação excessiva.
Outro obstáculo é a capacidade de computação. De acordo com um estudo da associação eco, a procura da economia alemã poderá chegar a 12 gigawatts até 2030, quando a infraestrutura prevista não ultrapassará 3,7 gigawatts. Para comparação, os EUA já dispõem de vinte vezes mais capacidade.
Apesar das dificuldades, há espaço para criação de valor em setores específicos, sobretudo nas médias empresas e “campeões ocultos” que dominam nichos industriais. O professor Oliver Thomas defende uma abordagem mais prática: “Precisamos de transformar investigação em aplicações concretas, onde está a verdadeira valorização”.
Os exemplos vão desde assistentes virtuais que filtram documentos em segundos até sistemas de IA aplicados à auditoria ou à consultoria fiscal. Para Thomas, nos próximos anos surgirão novas empresas digitais capazes de gerar receitas significativas com equipas reduzidas apoiadas por colegas de IA.
A aposta alemã na inteligência artificial é clara, mas a grande questão permanece: quando — e quem — irá realmente lucrar com ela?