Na passada segunda-feira, vários activistas e jornalistas reuniram-se na rua de Hamra, no centro de Beirute, para marchar em solidariedade com os cidadãos do sul Libanês e em protesto contra a ocupação ilegal das forças militares Israelitas.
O evento contou com a presença de figuras como Laith Marouf (jornalista e fundador do canal Free Palestine TV) e George Abdallah, fundador das Fações Armadas Revolucionárias Libanesas, libertado recentemente após 41 anos de pena de prisão em França.
Antes do início da marcha, Abdallah fez um discurso onde afirmou que “confrontar a normalização é um primeiro passo necessário na luta, e o nosso povo derrotará a normalização apesar da pressão. Faremos jus às aspirações da nossa nação árabe.” O activista de 74 anos mencionou ainda o ataque Israelita em Haret Hreik no domingo passado, que fez 5 mortos (incluindo o comandante do Hezbollah Haitham Al-Tabatabai) e 28 feridos num bairro residencial no sul de Beirute, apelando a todos que participassem em manifestações e marchas de apoio à resistência, descrevendo Al-Tabatabai como “um pilar da identidade Libanesa”.
A marcha teve início após o meio-dia, com os participantes a exibir bandeiras Libanesas, cartazes com slogans como “Dos campos de refugiados a Dahiyeh, do Vale do Bekaa ao Sul do Líbano e Gaza, o nosso sangue é um só e a nossa fé é uma só”, “Os crimes sionistas continuariam se não fosse o apoio americano?” e “Não abandonaremos os nossos prisioneiros” (em referência aos Libaneses ilegalmente capturados dentro do Líbano e detidos por Israel).
A marcha decorreu sem incidentes e teve a colaboração das forças de segurança presentes em Hamra que temporariamente bloquearam a estrada para permitir a passagem dos participantes, ao som de canções patrióticas das artistas Libanesas Fairuz e Julia Boutros. Esporadicamente, alguns activistas desenharam estrelas de David na estrada com latas de spray que os participantes pisaram com entusiasmo como protesto contra Israel. Membros do Partido Social Nacionalista Sírio no Líbano estiveram também presentes na marcha, embora de forma não oficial e sem estarem associados à organização do evento.
Esta manifestação sucedeu numa altura crítica do cessar-fogo entre o Líbano e Israel (violado pelas forças Israelitas mais de 10 mil vezes) em que Tel Aviv ameaça lançar mais uma guerra devastadora em breve.
João Sousa, correspondente para a e-Global a partir de Beirute