O que comemos pode decidir o futuro do planeta

Um estudo da Universidade da Colúmbia Britânica, divulgado a 24 de dezembro de 2025, conclui que os hábitos alimentares da população mundial estão a ultrapassar o chamado “orçamento de emissões alimentares” necessário para manter o aquecimento global abaixo dos 2 °C. Segundo os investigadores, cerca de 44% da população global — e quase 90% dos habitantes de países ricos como o Canadá — teria de mudar a sua dieta para evitar um agravamento severo das alterações climáticas.

A investigação analisou dados de 112 países, responsáveis por 99% das emissões globais associadas à alimentação, e mostra que os sistemas alimentares já representam mais de um terço das emissões de gases com efeito de estufa causadas pela atividade humana. No Canadá, a carne de vaca surge como o principal problema, sendo responsável por cerca de 43% das emissões alimentares médias, apesar de representar apenas uma parte da dieta.

Os autores defendem que pequenas mudanças podem ter um impacto significativo, como reduzir o desperdício alimentar, optar por porções mais moderadas e diminuir o consumo de carne bovina. Estas alterações, sublinham, não são apenas uma responsabilidade das pessoas mais ricas, mas de uma grande parte da população mundial, uma vez que todos contribuem para as emissões através da alimentação diária.

O estudo apela ainda a uma maior consciência política e social, defendendo que as escolhas individuais à mesa podem pressionar os decisores a adotar políticas mais sustentáveis para os sistemas alimentares. “Votar com o garfo” é, segundo os investigadores, um primeiro passo essencial para proteger o clima e garantir um futuro mais sustentável para o planeta.

Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

Subescreve a Newsletter

Artigos Relacionados

Comissão Europeia restringe inversores chineses em projetos energéticos por riscos de cibersegurança

A Comissão Europeia vai eliminar gradualmente o uso...

0

ONU alerta: escoltas navais no Estreito de Ormuz não garantem segurança duradoura

A Organização Marítima Internacional, agência das Nações Unidas,...

0

Reino Unido junta voos e flexibiliza “slots” para poupar combustível, com críticas aos direitos dos passageiros

As companhias aéreas no Reino Unido vão poder...

0