As eleições presidenciais deste domingo conduziram a uma segunda volta a 8 de fevereiro, entre António José Seguro e André Ventura, num dos resultados mais imprevisíveis das últimas décadas. O PSD ficou fora da corrida presidencial pela primeira vez em 25 anos.
Com quase todos os votos apurados, António José Seguro, apoiado pelo PS, venceu a primeira volta com 31%, alcançando o melhor resultado socialista desde Jorge Sampaio. Em segundo lugar ficou André Ventura, líder do Chega, com 23,5%, garantindo presença na segunda volta e afirmando-se como o principal candidato do espaço não socialista.
Seguro apelou à união dos “democratas, progressistas e humanistas” para derrotar os extremismos, prometendo ser “o Presidente de todos os portugueses”. Já Ventura destacou a fragmentação da direita e reclamou para o Chega a liderança desse campo político, apesar de enfrentar elevados níveis de rejeição junto do eleitorado moderado.
O PSD sofreu uma derrota histórica, com o seu candidato, Luís Marques Mendes, a ficar-se pelos 11%, anunciando desde já que o partido não apoiará nenhum dos candidatos na segunda volta. O primeiro-ministro Luís Montenegro procurou dissociar o resultado presidencial do desempenho do Governo.
A eleição marcou também o fraco desempenho da esquerda à esquerda do PS e confirmou a forte dispersão de votos, adiando a decisão final sobre o próximo Presidente da República para fevereiro.