Guiné-Bissau: Patrice Trovoada reúne com autoridades e algumas figuras da oposição

Após a intervenção da Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental (CEDEAO) para tentar desbloquear o impasse pós-eleitoral na Guiné-Bissau, a União Africana (UA) assumiu um papel mais visível na mediação da crise política que se instala no país desde o golpe de Estado de 26 de novembro de 2025, quando a autoridade militar interrompeu o processo eleitoral e suspendeu a participação de Bissau nas estruturas da organização continental.

O presidente da Comissão da União Africana, Mahmoud Ali Youssouf, nomeou a 23 de janeiro de 2026 o antigo primeiro-ministro de São Tomé e Príncipe, Patrice Trovoada, como enviado especial para apoiar a mediação da UA na Guiné-Bissau.

Trovoada chegou a Bissau esta quinta-feira 19 de fevereiro para estabelecer um diálogo entre as autoridades de transição e os principais atores políticos, incluindo representantes de candidaturas que reivindicam a vitória nas eleições gerais de novembro de 2025.

Antes da sua deslocação à capital guineense, o enviado especial manteve contactos preparatórios em Addis Abeba e com líderes regionais, incluindo o presidente da Comissão da UA e o atual líder da CEDEAO, numa tentativa de alinhar posições e reforçar a coordenação diplomática.

Fontes locais indicam que a missão da UA manteve encontros com representantes políticos em Bissau, incluindo com Fernando Dias da Costa que se assume como o Presidente eleito.

Entretanto, as autoridades de facto guineenses ainda não autorizaram o encontro entre o enviado especial da UA e alguns responsáveis da oposição, incluindo Domingos Simões Pereira, uma das figuras centrais e principal contestatário das autoridades de transição.

Mesmo assim, a UA tem reiterado a necessidade de diálogo entre todas as partes para criar um clima mínimo de confiança que permita discutir soluções políticas duradouras, incluindo a possibilidade de um processo eleitoral aceite por todos os intervenientes.

A missão africana decorre num contexto de forte pressão diplomática internacional para restaurar uma ordem constitucional inclusiva. A Guiné-Bissau está suspensa de várias organizações regionais e internacionais desde o golpe de 2025, com exigências repetidas para a libertação de detidos políticos e a retoma do processo eleitoral.

Paralelamente, atores políticos nacionais e plataformas de oposição manifestaram reservas quanto à nomeação de Patrice Trovoada, devido às suas afinidades com o antigo presidente Umaro Sissoco Embaló, pedindo maior imparcialidade na mediação e sugerindo a participação de figuras com maior aceitação entre grupos políticos divergentes.

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