Durante uma sessão do Conselho de Direitos Humanos da ONU realizada em Genebra nesta quarta-feira, 4 de março, Nada Al-Nashif, Alta-Comissária Adjunta da ONU para os Direitos Humanos, apelou para que o recurso à força não se torne norma na resolução de disputas internacionais. A responsável destacou que soluções militarizadas podem ser necessárias em alguns casos, mas têm “um custo humano e financeiro enorme” e podem agravar a instabilidade global.
Al-Nashif alertou que o mundo enfrenta uma fragmentação crescente e uma militarização crescente das sociedades, com mais de 60 conflitos armados ativos atualmente. Entre os exemplos citados estão a situação no Sudão, o conflito na Ucrânia e a persistente violência em Gaza. Segundo dados apresentados, a taxa de resolução de conflitos violentos diminuiu drasticamente nas últimas cinco décadas, com guerras terminando em vitória decisiva a cair de 49% nos anos 1970 para apenas 9% na década de 2010.
A representante da ONU defendeu abordagens centradas na prevenção e nos direitos humanos, como sistemas de alerta precoce, justiça de transição e participação da sociedade civil, citando experiências bem-sucedidas em países como Colômbia, Costa Rica, Gâmbia, Timor-Leste e Serra Leoa. Estes mecanismos, segundo Al-Nashif, contribuem para quebrar ciclos de violência e estabelecer paz duradoura.
Concluindo, Al-Nashif apelou a uma ação conjunta da comunidade internacional, sublinhando a importância de respeitar a Carta das Nações Unidas, o direito internacional e promover uma cultura de paz, em oposição ao recurso sistemático à guerra como instrumento de política internacional.