A Província de Nampula registou, no ano passado, cerca de 1000 casos de raparigas envolvidas em uniões prematuras, uma situação que preocupa a Direção Provincial de Gênero, Criança e Ação Social (DPGCAS).
A informação foi avançada na passada sexta-feira (13), durante uma conferência de imprensa realizada na cidade de Nampula, pela diretora provincial da instituição, Cedinha Mpila, no âmbito da abertura oficial de uma mesa redonda sobre uniões prematuras, inserida nas celebrações do Mês da Mulher, sob o lema “Direitos, Justiça e Ação para Todas as Mulheres e Raparigas”.
Segundo a dirigente, muitos pais e encarregados de educação continuam a encaminhar as filhas em idade escolar para uniões prematuras, como forma de aliviar as dificuldades económicas e garantir assistência alimentar no seio familiar.
De acordo com Cedinha Mpila, a organização da Mesa Redonda, com vários parceiros tem como objetivo refletir sobre a prevalência das uniões prematuras na província, mas apontou que o fenómeno ocorre com maior incidência nos distritos de Nampula, Murrupula e Mecuburi.
Cedinha Vicente Mpila referiu que o objetivo do governo é alcançar até 2029 zero casos de casamentos prematuros ao na província de Nampula.
“O objetivo da mesa redonda é promover uma reflexão sobre as uniões prematuras. Até 2029 queremos reduzir esta violência a zero, sendo que no ano passado registámos mais de mil casos” explicou.
A diretora acrescentou que algumas das menores envolvidas nestas uniões acabaram por engravidar, situação que tem motivado a prestação de apoio psicossocial e assistência social por parte das autoridades.
Apesar do cenário preocupante, Cedinha Mpila destacou que o governo provincial, em parceria com organizações de cooperação e líderes comunitários, tem intensificado campanhas de sensibilização e acções de prevenção, visando travar o fenómeno que, em muitos casos, leva as raparigas a abandonarem a escola para assumirem responsabilidades familiares.
Na ocasião, o chefe do Gabinete do governador de Nampula, Calquer Dias apelou às instituições competentes para reforçarem as ações de combate às uniões prematuras, sublinhando que o desenvolvimento da sociedade depende da proteção e valorização das raparigas.