A escalada do conflito no Médio Oriente está a ter consequências devastadoras não só na região, mas também à escala global, alertaram as Nações Unidas.
Quase um mês após o início da guerra, os impactos fazem-se sentir sobretudo entre as populações mais vulneráveis, com o aumento da insegurança alimentar, dificuldades no acesso à ajuda humanitária e forte pressão sobre a economia mundial.
De acordo com o UNOPS, as interrupções nas cadeias de abastecimento e nas rotas comerciais estão a afectar a disponibilidade de bens essenciais, contribuindo para a subida dos preços da energia e dos alimentos.
Um dos pontos mais críticos é o Estreito de Ormuz, por onde passa cerca de 20% do petróleo mundial. O bloqueio de facto desta rota está a gerar receios de aumentos significativos nos preços globais, com impacto directo nos países mais dependentes de importações.
As restrições no espaço aéreo, nas rotas marítimas e nos corredores humanitários dificultam a entrega de ajuda. Em territórios como Gaza, o acesso a bens essenciais continua severamente limitado.
A ONU alerta que o número de pessoas em situação de fome poderá aumentar em dezenas de milhões, especialmente em países já fragilizados como Sudão, Iémen ou Somália.
Para além da crise humanitária, o conflito está a afectar mercados globais, incluindo o de fertilizantes, o que pode comprometer a produção agrícola em várias regiões. Países em desenvolvimento, sobretudo em África e no Sul da Ásia, estão entre os mais expostos.
Há ainda preocupações com possíveis efeitos sobre as remessas financeiras enviadas por trabalhadores emigrantes, essenciais para muitas economias.
A Agência Internacional de Energia Atómica (AIEA) alertou também para os riscos associados a operações militares próximas de infraestruturas nucleares, após um incidente perto da central de Bushehr. Apesar de não terem sido registados danos no reator, a agência sublinha que a segurança destas instalações não pode ser comprometida.