O Líbano enfrenta um dos momentos mais críticos dos últimos anos, com o aumento da violência, deslocações em massa e agravamento da crise humanitária a colocarem o país “à beira do colapso”, alertou o coordenador de ajuda de emergência da ONU, Tom Fletcher, numa sessão do Conselho de Segurança.
Segundo o responsável, nas últimas quatro semanas mais de 1.240 pessoas morreram e cerca de 3.500 ficaram feridas, incluindo mulheres, crianças e equipas de socorro. O conflito já forçou a deslocação de mais de 1,1 milhões de pessoas, muitas das quais obrigadas a fugir repetidamente, num cenário descrito como um “ciclo de deslocação coerciva”.
Os confrontos intensificaram-se em ambos os lados da chamada Linha Azul, com lançamento de rockets contra o norte de Israel e bombardeamentos israelitas a devastarem o sul do Líbano, os subúrbios de Beirute e o vale do Bekaa. Infraestruturas essenciais foram destruídas, incluindo pontes, hospitais, sistemas de água e eletricidade, enquanto escolas foram transformadas em abrigos.
Apesar do aumento das operações humanitárias, que já forneceram milhões de refeições e bens essenciais, o financiamento continua insuficiente. Dos 308 milhões de dólares solicitados para resposta de emergência, apenas 94 milhões foram garantidos até ao momento, comprometendo a assistência às populações mais vulneráveis.
A situação agravou-se ainda com a morte de três capacetes azuis indonésios da missão da ONU no Líbano (UNIFIL), num incidente classificado como inaceitável. O chefe das operações de paz da ONU, Jean-Pierre Lacroix, sublinhou que “os capacetes azuis nunca devem ser alvo” e apelou ao respeito pelo direito internacional.