Líbano: Crise alimentar agrava-se com guerra e colapso económico

O Líbano enfrenta uma das mais graves crises alimentares da sua história recente, resultado da combinação entre conflito armado, colapso económico e falhas nas cadeias de abastecimento. Segundo o Programa Alimentar Mundial, cerca de 900 mil pessoas já viviam em insegurança alimentar antes da recente escalada militar, número que continua a aumentar rapidamente.

A guerra intensificou drasticamente a situação. No sul do país, mais de 80% dos mercados deixaram de funcionar, enquanto comerciantes relatam que possuem alimentos essenciais para menos de uma semana. Além disso, o acesso humanitário está comprometido: apenas cerca de dez comboios humanitários conseguiram operar desde o início das hostilidades, dificultando a distribuição de alimentos às populações mais vulneráveis.

Os preços dos alimentos também dispararam em poucas semanas. Dados recentes indicam que os vegetais aumentaram mais de 20% e o pão cerca de 17% desde o início de março de 2026, tornando produtos básicos inacessíveis para muitas famílias. Ao mesmo tempo, a perda de rendimentos e o aumento do desemprego agravam a incapacidade da população para adquirir alimentos.

A crise humanitária é agravada pelo deslocamento em massa. Mais de 1,2 milhões de pessoas foram forçadas a abandonar as suas casas, perdendo acesso a meios de subsistência e a fontes regulares de alimentação. Este cenário cria uma pressão adicional sobre cidades como Beirute, onde os mercados ainda funcionam, mas enfrentam escassez e aumento da procura.

Especialistas alertam que o país enfrenta uma “crise de duas camadas”: por um lado, a destruição provocada pela guerra; por outro, uma crise económica profunda que já durava há anos. Sem acesso seguro para ajuda humanitária e sem estabilização política, o risco de fome generalizada continua a crescer, podendo empurrar o Líbano para uma emergência alimentar ainda mais grave nos próximos meses.

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