Um novo relatório da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE), divulgado a 15 de abril de 2026, conclui que as doenças não transmissíveis (DNT) — como doenças cardiovasculares, cancro, diabetes e doenças respiratórias crónicas — estão a aumentar de forma contínua e a representar um peso crescente para os sistemas de saúde e para as economias.
Segundo o documento, entre 1990 e 2023 a prevalência de várias destas doenças aumentou significativamente nas economias da OCDE e da União Europeia. A diabetes, por exemplo, quase duplicou em alguns países, enquanto as doenças cardiovasculares e respiratórias também registaram aumentos expressivos, apesar dos progressos em algumas áreas da saúde pública.
O relatório sublinha que o impacto das DNT vai muito além da saúde, afetando a produtividade, o crescimento económico e o bem-estar social. A OCDE estima que, sem estas doenças, as despesas em saúde seriam cerca de 40% mais baixas e o Produto Interno Bruto (PIB) poderia ser até 4% superior nas próximas décadas, evidenciando o peso económico do problema.
Entre os principais fatores de risco, o relatório destaca a obesidade como o mais relevante, seguida do tabaco e de estilos de vida pouco saudáveis. A organização conclui que políticas eficazes de prevenção — como promoção de hábitos saudáveis, diagnóstico precoce e redução de fatores de risco — têm um impacto económico e social mais forte do que o tratamento tardio das doenças.
A OCDE defende ainda uma abordagem integrada baseada em três pilares: educação e informação para promover escolhas saudáveis, criação de ambientes que favoreçam estilos de vida saudáveis e reforço dos sistemas de saúde na prevenção e acompanhamento das doenças crónicas. Segundo o relatório, mesmo intervenções focadas nos principais fatores de risco poderiam evitar milhares de mortes prematuras e reduzir significativamente os custos em saúde até 2050.