Um novo relatório do Centro Europeu de Prevenção e Controlo das Doenças (ECDC) indica que três países da Europa — entre eles Portugal, Islândia e Noruega — já atingiram a meta de 90% de cobertura vacinal contra o vírus do papiloma humano (HPV) entre raparigas até aos 15 anos. O avanço é visto como um marco importante nas estratégias de prevenção do cancro do colo do útero.
Segundo o ECDC, todos os países da União Europeia e do Espaço Económico Europeu passaram a recomendar a vacinação contra o HPV para raparigas e rapazes adolescentes, o que representa um reforço significativo das políticas de saúde pública na região. A vacinação em idade precoce é apontada como fator decisivo para garantir maior proteção.
Estudos de longo prazo realizados em países como Suécia, Dinamarca e Reino Unido mostram que a vacina reduz de forma expressiva as infeções por HPV e o aparecimento de lesões pré-cancerígenas. Em alguns casos, verificou-se uma redução de até 88% no risco de cancro do colo do útero entre jovens vacinadas antes dos 17 anos.
As autoridades de saúde sublinham que os resultados demonstram o impacto direto dos programas de imunização bem estruturados, especialmente aqueles implementados em ambiente escolar, que conseguem atingir níveis mais elevados de cobertura tanto em raparigas como em rapazes.
Apesar dos progressos, especialistas alertam que a vacinação deve ser acompanhada por rastreios regulares, uma vez que continua a existir risco de infeção por variantes do vírus não abrangidas pelas vacinas. O objetivo a longo prazo é tornar o cancro do colo do útero uma doença eliminável como problema de saúde pública na Europa.